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Terça-feira, 14 de Junho de 2011, 20h:53

Agroquímico clandestino

Na sexta-feira anterior, em mais um lance da interminável luta do gato contra o rato, policiais federais apreenderam agroquímicos produzidos em fundo de quintal por fábrica clandestina numa fazenda no município de Campo Verde, região sul de Mato Grosso. Essa ação foi desencadeada numa operação conjunta com fiscais e técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea). A produção clandestina de agroquímicos coloca em risco a saúde humana dos que têm algum tipo de contato com tais produtos, causa danos ao meio ambiente e contaminação das águas dos rios e do lençol freático. Além disso, não tem eficácia comprovada e, pior, pode provocar algum tipo de modificação do cereal, fruta, oleaginosa, leite, lácteos e carne sob seu efeito, o que é fator altamente preocupante. Somente existe a fábrica clandestina porque a mesma encontra mercado para sua produção. Enquanto não se quebrar a cadeia do fabricante e consumidor, a citada luta do gato contra o rato persistirá. Nesse contexto é preciso observar que nem todos que compram agroquímico clandestino conhecem sua origem e há os que acreditam tratar-se de marca tradicional no mercado. Hoje, o agroquímico clandestino é o grande desafio policial no setor rural em Mato Grosso. No passado, a luta era travada em duas frentes: contra a semente dita “Bolsa Branca”, porque não tinha certificação e era de origem duvidosa, e contra a soja transgênica argentina, chamada de “Maradona” e que era contrabandeada por agricultores de Mato Grosso e outros estados. Bolsa Branca e Maradona são coisas do passado. O agricultor reconheceu que não era conveniente plantar semente sem qualidade e que ainda corria o risco de frustração de safra. De igual modo se viu livre da Maradona, porque o Brasil autorizou o cultivo da soja modificada geneticamente ou transgênica. A ação policial deve continuar e a fiscalização do Ministério, juntamente com o Indea, também. Porém, para zerar a possibilidade do uso do agroquímico clandestino é preciso que as entidades do setor produtivo se unam e criem uma governança pela qual nenhuma trade receba em seus barracões safras originárias de fazenda receptadora de produtos das fábricas clandestinas; e que os frigoríficos também adotem a mesma política. Se unirem força contra a cadeia do agroquímico industrializado criminosamente a Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo) conseguirão banir esse grave problema do campo. As entidades representativas do setor produtivo primário não podem mais cruzar os braços diante do agroquímico clandestino. É hora de fechar o cerco contra a engrenagem criminosa que preocupa Mato Grosso. Hoje, o agroquímico clandestino é o grande desafio policial no setor rural

Edição EDIÇÃO 16958




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