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Editoriais
Terça-feira, 02 de Março de 2004, 20h:43

Agenda positiva

A ampliação do programa Bolsa-Família, a liberação de verbas para projetos de saneamento, habitação e transportes, e o pagamento das diferenças devidas a aposentados do INSS são três das medidas incluídas pelo governo federal em uma "agenda positiva" criada para retirar o escândalo Waldomiro Diniz do primeiro plano na mídia. No caso do Bolsa-Família, a meta de beneficiar mais 901 mil famílias terá que ser atingida até o final de julho e não até o final do ano, como estava previsto. Já as verbas para saneamento, habitação e transportes, orçadas em R$ 20 bilhões, serão agilizadas pela equipe da Fazenda, sob o comando do ministro Antonio Palocci Filho. Quanto às diferenças devidas pelo INSS a um grupo de aposentados e pensionistas, o presidente Lula deu a ordem para que a proposta esteja pronta até 10 de março. O gasto adicional será de R$ 2,4 bilhões apenas este ano. A agenda positiva do governo Lula é uma demonstração cabal de que a política brasileira segue mesmo estranhos caminhos, pois atitudes que o governo deveria tomar de moto próprio, sem ser provocado por nenhum acontecimento negativo, ficam paralisadas à espera de que algo aconteça para vir à luz. Se era possível realizar na metade do tempo a meta do Bolsa-Família, por que esperar que um assessor escroque, dado a negociar vantagens e propinas, viesse a colocar um ministro e toda a cúpula do governo sob pressão para só depois acelerar o ritmo das realizações oficiais? Agora já se fala até na possibilidade de, se tudo correr bem, passar a atender mais 2 milhões de famílias até o fim do ano. O mesmo raciocínio vale para os investimentos em infra-estrutura e habitação popular, áreas em que o déficit nacional é sempre agudo. E vale sobretudo para o caso do INSS, cujo pagamento das diferenças do Plano Real não está atrasado apenas porque houve troca do ministro da Previdência. O ritmo das realizações ministeriais é de tal forma lerdo que um acordo simples, tão simples como o do FGTS - sempre citado como modelo - ainda se arrasta pelos escaninhos ministeriais à espera de um formato final. Também deverão ajudar na pretendida mudança de pauta a visita do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, que virá ao Brasil para elogiar a política econômica, e o início do debate, pelo Congresso, da medida provisória que proibiu os bingos e caça-níqueis. Embora ligada ao caso Waldomiro Diniz, a medida provisória coloca, por seu alcance e seriedade, o governo na ofensiva. Trata-se, porém, de faca de dois gumes, pois está levando à rua milhares de funcionários dos bingos em protesto pela perda de seus empregos. Menos mal que a questão do jogo esteja obrigando os ministros, os demais escalões e o próprio presidente da República a acelerar o ritmo de trabalho em Brasília. A agenda positiva do governo Lula é uma demonstração de que a política brasileira segue mesmo estranhos caminhos

Edição EDIÇÃO 16958




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