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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 09 de Setembro de 2006, 14h:05

SEMENTE CERTIFICADA

Sojicultura mato-grossense dá exemplo

Apesar da crise de renda no campo, a soja plantada nas lavouras estaduais, lidera ranking do uso de cultivares legais no Brasil

MARIANNA PERES FRANCO
Da Editoria
Apesar da crise instalada há duas safras no Estado, os sojicultores mato-grossenses são responsáveis por outra liderança do grão no Brasil: além de maior produtor nacional (área, produção e produtividade), a sojicultura estadual tem o maior índice de utilização de sementes certificadas do País. De um volume de 297,97 mil toneladas (t) adquiridas para esta safra (05/06), 85% eram de sementes certificadas, ou, legais. O percentual supera o do estado do Paraná, segundo colocado, com aproveitamento de cerca de 80%. Já a média Brasil do uso de sementes certificadas para a soja no ano passado ficou abaixo de 50%. De acordo com gerente geral da Embrapa Transferência de Tecnologia (Brasília-DF), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, José Roberto Rodrigues Peres, “felizmente, Mato Grosso e o Paraná vem dando bom exemplo. E o resultado disso são os altos índices de produtividade, acima de 3 mil quilos por hectare”. Na safra passada (04/05), o aproveitamento no Estado de sementes legais foi de 90%. “Quando se utiliza semente de qualidade e se alia tecnologia, como é o caso específico do Mato Grosso, o resultado é esse: produtividade”. A queda na utilização de sementes legais, da safra 04/05 para a 05/06, é justificada pela falta de liquidez ao segmento. Alguns produtores optaram pelo caminho da ilegalidade – produção própria sem registro no Ministério da Agricultura ou contrabando. Mesmo com uma crise instaurada no segmento rural, principalmente na agricultura, o também pesquisador alerta que optar por sementes sem certificação, ilegais (piratas e salvas), “só piora a atividade, pois o índice de produtividade – o rendimento por hectare plantado – será menor, ou seja, a renda será prejudicada”. O pesquisador vai mais além e emite um alerta ao segmento produtivo. ”A produção nas lavouras de soja pode ficar ainda mais comprometida, se os produtores insistirem em usar sementes transgênicas não certificadas na safra 06/07. A queda que está atualmente em 20% na produtividade, corre risco de ter um índice ainda maior, pois está relacionada à falta de certificação do material genético utilizado”. Entre as principais conseqüências ao uso de material sem certificação (e com origem completamente desconhecida) o pesquisador enumera a desestruturação do negócio brasileiro, a redução na produtividade, a degeneração genética das cultivares e o conseqüente enfraquecimento da indústria nacional de sementes. “As sementes permanentemente reproduzidas sem qualquer critério têm sua genética degenerada, fica fraca e perda a tolerância a uma série de pragas e doenças, como por exemplo, o nematóide de cisto”. Peres exclama: “A opção pela ilegalidade é uma roleta russa. O produtor e o Brasil vão perdendo competitividade. Foram 40 anos para se reestruturar o parque industrial de sementes brasileiro e a cada perda de eficiência da semente nacional, abrimos espaço para que as multinacionais determinem os preços deste insumo importantíssimo ao sucesso do agronegócio. Em relação às pesquisas, não podemos pensar apenas no aqui e agora”. O pesquisador revela que neste ano a Embrapa e parceiras investiram nada menos do que R$ 8 milhões na produção de sementes certificadas. A Empresa fechou 1,37 mil contratos para licenciar a produção de material certificado. “Estes parceiros, que incentivam programas de pesquisa com certeza ficarão desestimulados para novos investimentos”, ressalta Peres.

Edição edição 16957




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