ECONOMIA
Segunda-feira, 12 de Março de 2007, 20h:00
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ÁLCOOL
Produto mais barato
Postos mantêm guerra de preços e reduzem em cerca de R$ 0,03 a R$ 0,05 o litro na bomba. Gasolina pega carona
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Postos de Cuiabá e Várzea Grande, que aproveitaram a carona das liminares da Justiça que limitam a margem de lucro em 20 estabelecimentos em até 20% - decidiram nesta semana acirrar a guerra de preços para forçar os demais concorrentes a também adotar margens menores na revenda do álcool hidratado. Na maioria dos postos, os preços oscilavam ontem entre R$ 1,44 e R$ 1,48, redução de cerca de R$ 0,03 a R$ 0,05 em relação às cotações do início da semana passada. Além dos novos preços de bomba para o litro do álcool hidratado, os postos revolveram tirar alguns centavos dos valores da gasolina comum e aditivada. Em geral, o litro cotado a R$ 2,93 na semana passada, surge a R$ 2,91 e até a R$ 2,90. Vender mais e girar o capital são as justificativas para os novos preços. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo) diz que os preços dos combustíveis estão liberados, mas confirma a existência da guerra de preços entre os concorrentes, já que a Justiça proibiu margens de lucro acima de 20% para o álcool e, no entanto, com os preços atuais a margem não chega a 10%. Como as margens estão sufocantes, os preços vão pressionar o equilíbrio financeiro das empresas, que não suportariam a disputa por muito tempo, afirmou uma fonte da assessoria do sindicato. Para o Sindipetróleo, não há como os postos sobreviverem com margens tão reduzidas, o que levará ao ajuste de preços para valores que possibilitem uma melhor rentabilidade nos próximos dias. Já esperava por esta reação de queda de preços em cadeia, pois a ofensiva lançada pelas distribuidoras tem como objetivo desestruturar os concorrentes, comentou o gerente de um posto da Avenida Rubens de Mendonça. Segundo ele, a disputa pelo mercado do álcool poderá levar todos os postos da avenida a entrar na guerra de preços em Cuiabá. É muito natural que outros postos também entrem nesta briga para não perder mercado, lembrou. Geraldo Arruda, que gerencia um posto na Avenida Miguel Sutil, confirma o acirramento da disputa pelo mercado local de combustíveis. Esta guerra de concorrência ficou clara depois que algumas distribuidoras lançaram a campanha sob o pretexto de que o lucro de alguns estabelecimentos não poderia ultrapassar a 20%. Alguns postos, entretanto, não estão suportando a pequena margem de lucro e decidiram manter os preços nos patamares de R$ 1,83. Outros preferiram optar pela média de preços, como é o caso de um posto da Avenida Presidente Marques. Segundo a gerente Dilvana Silva, o posto decidiu baixar os preços de R$ 1,81 para R$ 1,63 para acompanhar a concorrência e não perder vendas. Mas a margem [de lucro] está apertada e a nossa expectativa é de que os preços voltem ao normal nos próximos dias. Para Francisco Lima, gerente de um posto da Avenida Fernando Corrêa, as empresas não vão suportar trabalhando com os preços atuais. Acho que esta redução drástica pode ser suicida para os postos. Ele acredita que se a guerra de preços perdurar por mais algumas semanas, vários estabelecimentos poderão ter dificuldades e ser obrigados a buscar alternativas para reduzir despesas. O que estamos fazendo representa um risco até mesmo para a nossa permanência no mercado, pois não há como comprarmos um produto por um determinado valor e vendermos por um preço bem próximo do custo. As despesas operacionais dos postos são altas e muitos poderão não suportar este momento, frisou. IDEAL De acordo com o Sindipetróleo, o preço ideal de bomba do álcool seria atualmente de R$ 1,81, valor que vigorava no mercado antes das liminares impetradas em dezembro pela Promotoria de Defesa do Consumidor e da Cidadania. Neste valor final de venda sugerido, o segmento patronal leva em consideração todos os custos que incidem sobre o combustível, inclusive os impostos estaduais e federais (ICMS, CPMF, PIS/Cofins), fretes e margens de lucro.