ECONOMIA
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009, 20h:26
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BNDES
Minimizando a crise
Setor produtivo prevê que liberação de R$ 100 bilhões para o BNDES vai estimular investimentos em Mato Grosso
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O aporte de R$ 100 bilhões para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), anunciado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), vai minimizar os efeitos da crise financeira e estimular os investimentos em Mato Grosso. Essa é a opinião do setor produtivo mato-grossense, que recebeu com otimismo a notícia sobre a liberação de mais recursos para projetos de investimento e geração de empregos. A medida vai trazer um novo alento à economia, estimulando também projetos na área de infra-estrutura e energia, disse ontem o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemt), Mauro Mendes Ferreira. Acredito que os recursos poderão também contribuir para reduzir os efeitos da crise que pode chegar ao nosso Estado. A atitude do governo é muito positiva. Ele informou que o seu grupo o Bimetal - que atua na área de telecomunicações, tem projetos que poderão depender dos recursos do BNDES. Entre os projetos estão investimentos na área de geração de energia, através da construção de usinas hidrelétricas, em parceria com a empresa italiana Terna e a Eletronorte, no valor de R$ 150 milhões. Este aporte será importante para nós, afirmou Mendes. Na avaliação do industrial Jandir Milan, dono da Ábaco Tecnologia de Informação e da Milan Móveis empresas que geram 800 empregos diretos em Mato Grosso os recursos colocados à disposição pelo BNDES são muito interessantes e poderão ajudar as empresas. O nosso grande problema será a demanda. Não adianta aumentarmos a produção com nível de consumo baixo. De qualquer forma, a medida é bem-vinda para o setor produtivo. O setor comercial também comemorou bastante a notícia. Acredito que este aporte de R$ 100 bilhões dará estabilidade às empresas, estimulando os investimentos e gerando novos empregos. A indústria tem que ter fôlego para oferecer produtos ao comércio com prazos e preços melhores, disse o presidente do Sindicato do Comércio de Tecidos, Confecções e Armarinhos de Cuiabá e Várzea Grande, Roberto Perón. O nosso segmento usa muito os recursos do BNDES e acredito que esta será uma oportunidade para as empresas estruturarem seu departamento financeiro e buscarem novos investimentos, frisou ele. Para o consultor e economista Carlos Vitor Timo Ribeiro, da PR Consultoria e Projetos Ltda., a capitalização para o BNDES é uma excelente notícia para a economia de Mato Grosso, que utiliza muito essa linha de crédito. É uma garantia de que não faltarão recursos para projetos de investimentos em nosso Estado, afirmou. RECURSOS Carlos Vitor informou que em 2007 e 2008 O BNDES teve uma participação expressiva nos financiamentos dos projetos de investimentos em Mato Grosso. Em 2007, por exemplo, o BNDES liberou R$ 1,30 bilhão e, no ano passado só no período de janeiro a novembro - 2,71 bilhões já haviam sido repassados pelo banco, crescimento de 108,46% em 11 meses. Dos R$ 2,71 bilhões, R$ 1,40 bilhão foram para a indústria, R$ 658 milhões para a agropecuária e, R$ 646 milhões, para o comércio e serviços. Os R$ 100 bilhões anunciados pelo ministro da Fazenda virão por meio do caixa do governo e das captações feitas no exterior pelo Tesouro Nacional. A remuneração do dinheiro será divida em: 70% dos recursos pela TJLP + 2,5% (total de 8,75% ao ano), e os restantes 30% serão taxados ao custo de captação do Tesouro no exterior (6,19% ao ano). Mantega explicou que os recursos adicionais do BNDES são uma das ações do governo para tentar garantir um crescimento de 4% neste ano, acima das previsões de 2% feitas pelo mercado financeiro.