ECONOMIA
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009, 20h:42
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CUSTO DE VIDA
Inflação surpreende e IPCA-15 sobe 0,40%
Alta das tarifas de transportes e alimentos puxaram a inflação em janeiro
JACQUELINE FARID E RICARDO LEOPOLDO
Da Reportagem
Os preços dos alimentos, das tarifas de ônibus urbanos, aluguéis e condomínios colaboraram para a aceleração da alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de 0,29% em dezembro para 0,40% em janeiro. Apesar de surpreender, o economista da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Luiz Roberto Cunha disse que o aumento dos preços não está relacionado a pressões de demanda e ao câmbio e que não reduz espaço do Banco Central na condução do desaperto monetário. "Embora os números tenham surpreendido, os itens que tem relação com a demanda e com o crédito estão em deflação", observou. O preço dos alimentos subiram de 0,34% em dezembro para 0,72% em janeiro por causa dos produtos in natura, cuja safra depende do clima. Os destaques de alta nos preços ficaram com as frutas (2,41%), batata inglesa (11,87%), cervejas (2,11%) e refrigerantes (2%). Segundo Cunha, os preços dos alimentos foram pressionados pela seca no Centro-Oeste e o excesso de chuvas em outras regiões. "Nada disso tem a ver com demanda", afirmou. Além disso, o economista da LCA Consultores Fábio Romão, disse que boa parte do avanço nos preços dos alimentos pode estar relacionada a dois motivos: diminuição do ritmo da queda das commodities e chuvas na região sul do País. Também chamou a atenção do economista o item alimentação fora do domicílio, pois subiu de 0,50% em dezembro para 0,95% neste mês. Nos itens agrupados na categoria não-alimentícios, houve alta de 0,31% em janeiro, ante 0,29% em dezembro. Além da tarifa dos ônibus urbanos (2,35%, maior impacto na taxa), subiram também as tarifas dos ônibus intermunicipais (3,24%) e interestaduais (2,31%). Segundo o IBGE, apesar da alta nos transportes públicos, o grupo transporte apresentou pequena queda em janeiro (de estabilidade em dezembro para -0,01% no primeiro mês do ano), "evidenciando os preços mais baixos tanto dos automóveis novos (-5,08%) quanto dos usados (-3,77%)". A taxa do grupo habitação também ficou mais alta (de 0,32% de dezembro para 0,50% em janeiro), pressionada pelos aluguéis (de 0,56% para 1,01%) e condomínios (de -0,08% para 1,09%), assim como pelos artigos de vestuário (de 0,78% em dezembro para 0,84%). Compensação - Os avanços de preços captados pelo IPCA-15, segundo Fábio Romão, foram parcialmente compensadas pela deflação nos preços de automóveis, pois caíram 5,08% no caso de veículos novos enquanto os usados baixaram 3,77%. Para ele, a pressão um pouco mais forte sobre os preços dos serviços deve perder intensidade no curto prazo, devido à piora do mercado de trabalho no setor em função da crise internacional O economista lembra que, quando sobe o desemprego, as indústrias normalmente são as primeiras a dispensar, o que foi registrado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em dezembro. No mês passado, as fábricas cortaram 273 240 empregos no País. Esse número representou 85,5% do total de demissões apuradas pelo Caged no último mês de 2007, quando ocorreu o fechamento de 319.414 vagas. Com o IPCA-15 de janeiro, Romão espera que o IPCA deste mês deve ser pouco superior a 0,40%. Ele pondera que a inflação não deve registrar uma tendência de forte elevação no curto prazo, pois estima um incremento acumulado de 1,32% no primeiro trimestre deste ano, abaixo do 1,52% registrado no mesmo período de 2008. Segundo ele, o índice divulgado hoje pelo IBGE não fez com que alterasse sua projeção para o IPCA em 2009, que deve apresentar uma expansão de 4,7%. O economista também não espera que o indicador informado nesta manhã vai mudar a trajetória da distensão monetária iniciada pelo Copom nesta semana. A LCA espera que em março os juros deverão cair 0,75 ponto porcentual, e no ano a Selic deve cair pelo menos 2,50 pontos porcentuais. Cunha, da PUC-RJ, concorda. Para ele, do ponto de vista da política monetária o cenário inflacionário prossegue tranquilo, apesar da alta no IPCA-15 acima do esperado, "porque o nível de atividade vai continuar desabando".