ECONOMIA
Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010, 19h:22
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FRIALTO
Greve adia solução
Mesmo que a paralisação do Judiciário seja imediata, nova Assembléia Geral dos Credores não deve sair este ano
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O impasse entre o Grupo Frialto e seus credores poderá se arrastar até o primeiro semestre do próximo ano, devido à greve do Poder Judiciário de Mato Grosso. O frigorífico está com suas atividades paralisadas desde maio, porém não há tempo hábil para a realização de uma nova Assembléia Geral de Credores. O Grupo Frialto protocolou no último dia 29 de julho, na 2ª Vara da Comarca de Sinop (MT), seu Plano de Recuperação Judicial (PRJ) e, se o prazo fosse cumprido, os credores teriam 30 dias para analisar e fazer objeções às propostas apresentadas, que deveriam ser entregues por escrito e protocoladas na Comarca de Sinop até ontem, 30. Depois disso, o juiz teria mais 150 dias para marcar a Assembléia Geral de Credores, o que poderia ocorrer até o final de 2010. Todo esse tramite processual está sem nenhum efeito jurídico, pois a Justiça Estadual de Mato Grosso está parada há mais de três meses, sem previsão de volta, analisa o assessor jurídico da Associação dos Criadores de Mato Grosso Acrimat, Armando Biancardini Candia. Para ele, mesmo que os servidores do Judiciário retornem hoje, fica difícil fazer uma previsão de convocação de Assembléia Geral dos Credores para este ano. Assim que a Justiça voltar a funcionar o trâmite começa do zero e todos os prazos começam a ser contados a partir daquele momento. São necessários no mínimo 180 dias para o juiz analisar e definir datas processuais. Tudo indica que só em 2011 será possível resolver a questão do Processo de Recuperação Judicial do Frialto, salientou o advogado. A paralisação das atividades do Frialto ocorreu no dia 21 de maio e a empresa protocolou o pedido de recuperação judicial na Comarca de Sinop no dia 24 de maio. O grupo possui oito unidades de abates em cinco Estados (MT, MS, RO, SP, GO). Em Mato Grosso são três plantas, localizadas em Nova Canaã do Norte, Matupá e Sinop, e outra planta em construção em Tabaporã. A dívida do Frialto - formado pelas sociedades Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos S.A., Agropecuária Ponto Alto e Urupuá Indústria e Comércio de Alimentos - é de R$ 564 milhões, sendo R$ 453 milhões com instituições financeiras, R$ 97 milhões com os pecuaristas, R$ 6 milhões com o Ministério do Trabalho (dívidas trabalhistas) e, R$ 8 milhões, relativo a frete. PROPOSTAS O Frialto apresenta dois cenários para o pagamento dos fornecedores estratégicos, onde estão os pecuaristas. Na primeira hipótese, a empresa retoma suas atividades sem novos financiamentos. Neste cenário, a proposta é de que após a homologação do plano na Assembléia Geral dos Credores cada credor estratégico cujo crédito não seja superior a R$ 25 mil, receberá integralmente 5 dias depois; aos demais credores, 10% do saldo devedor a cada credor 35 dias depois; 50% do saldo devedor seriam pagos em 11 parcelas mensais; e o saldo restante (40%) pago em 12 parcelas mensais, somando dois anos para quitar o débito. Na segunda hipótese, o frigorífico prevê a continuidade das operações com financiamentos no valor de R$ 50 milhões. Nesse caso, após a homologação do plano na AGC, cada credor cujo crédito não seja superior a R$ 25 mil receberá integralmente dias depois; aos demais credores, será efetuado o pagamento de 10% do saldo devedor 35 dias após a amortização dos débitos previstos aos que receberam integralmente; 10 dias após o desembolso do valor do financiamento, pagamento de 50% do saldo devedor e, o saldo restante, pago em 11 parcelas mensais.