ECONOMIA
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009, 20h:30
A
A
PLANO DE SAFRA
Crédito cresce 37% para PAP 09/10
O governo federal vai destinar R$ 107,5 bilhões à agricultura por meio do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2009/2010. O total representa 37% a mais de recursos para o crédito agrícola em relação à safra 08/09. Na nova temporada, a agricultura comercial conta com R$ 92,5 bilhões e a familiar com R$ 15 bilhões. Somente para a agricultura comercial, o volume de recursos cresceu 42,3% em comparação com o ciclo atual. Lançado ontem, em Londrina (PR), pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, o PAP tem como foco central o incentivo ao médio produtor rural, ao cooperativismo e à produção agropecuária com respeito ao meio ambiente. Após apresentar os recursos do Plano Agrícola e Pecuário, o ministro Reinhold Stephanes, estimou que a área a ser cultivada na safra 09/10 no Brasil deverá repetir a do ciclo passado, quando foram semeados 47,6 milhões de hectares, 0,4% acima da safra anterior. Apesar de repetir a área, a produtividade brasileira cresce cerca de 3% ao ano nas últimas duas décadas, comparou o ministro. Por causa da constante melhora no rendimento, se o clima for favorável Stephanes considerou que a próxima colheita poderá recuperar a perda de 6,9% em volume na safra 08/09, estimada em 134,2 milhões de toneladas. "É bastante possível" crescer até 8%, calculou. O ganho em rendimento "desmistifica" a ideia de que a produção agrícola aumenta com o uso de áreas desmatadas, conforme o ministro. CNA - O Plano vem ao encontro da maior parte das solicitações da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO). "Minha preocupação é com a burocracia para se colocar o plano em prática", afirmou. A senadora está tão reticente com os trâmites existentes entre o anúncio do Plano de Safra e a chegada dos recursos no interior dos estados, nas mãos dos agricultores e pecuaristas, que ela afirmou que só fará um balanço do plano daqui a um mês. "Estou com boas perspectivas e não quero fazer alarde, chororô, nem crítica antecipada, mas será que vai tirar de verdade o produtor do buraco?", questionou, a respeito do fluxo de tomada de dinheiro pelo agricultor. Sobre a manutenção dos juros em 6,75% ao ano, Kátia mostrou sintonia com a avaliação do ministro Stephanes, expressa na última sexta-feira. "Neste momento é mais importante volume de crédito do que patamar de juros", disse a senadora. Ela lembrou que a CNA havia solicitado a redução da taxa e havia essa perspectiva por conta da queda da Selic. "Poderiam baixar mais o nosso juro, mas por conta da crise...".