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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 03 de Maio de 2008, 14h:35

TRIGO

Cereal se revela mais rentável que soja

Reação das cotações internacionais deve reavivar interesse dos produtores pelo grão e por sua vez, reativar moinho e fábrica de massa em MT

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Paralisado desde 2005 por falta de matéria-prima, o único moinho de trigo existente em Mato Grosso, instalado no Distrito Industrial de Cuiabá, poderá ser reativado caso o Estado viabilize a produção do produto nos próximos anos. A reativação do moinho é decisiva para a queda dos preços do pãozinho francês, que atingiram seu ápice neste ano depois que a Argentina dificultou as exportações para o Brasil. Atualmente, o quilo do pão francês em Cuiabá está sendo vendido por até R$ 9 em algumas panificadoras e a tendência é de o preço subir ainda mais se Mato Grosso continuar dependente deste insumo. “A retomada do moinho é fundamental para o setor da panificação e para atrair indústrias de massas ao nosso Estado”, afirma o agrônomo Hortêncio Paro, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Mato Grosso (Empaer) e responsável pelo Programa de Apoio à Expansão da Cultura do Trigo no Estado, o Pró-trigo. Segundo ele, tanto o moinho – de propriedade do Grupo Multigraim, de São Paulo – quanto a fábrica de macarrão Laila, do Grupo Zahran, de Mato Grosso do Sul, estão desativados por falta de produção. “Com seis mil hectares de plantio e produção de 24 mil toneladas de trigo irrigado poderíamos viabilizar o funcionamento do moinho de trigo. Com isso teríamos farinha mais barata no mercado e, conseqüentemente, todos os produtos derivados deste insumo também poderiam ficar mais baratos aos consumidores”, lembra. Segundo o agrônomo, Mato Grosso planta trigo há quase 30 anos – desde 1979 - chegando a produzir cerca de 15 mil toneladas de trigo por safra. “Paramos por dificuldades de comercialização, mas agora o momento favorece esta cultura porque os preços internacionais tiveram uma boa recuperação”. A cotação da saca de 60 quilos gira hoje entre R$ 43 a R$ 46 (cerca de R$ 3,22 mil por hectare), para um custo de produção estimado em R$ 1,71 mil/ha. “A retabilidade é bem melhor do que a da soja”, observa Paro. Para retomar a produção em larga escala, entretanto, os produtores mato-grossenses precisam voltar a acreditar na cultura. “Temos hoje uma excelente produtividade e só depende mesmo de iniciativa”, frisou o agrônomo. No ano passado, Mato Grosso plantou 450 hectares de trigo, com uma produção prevista de 1,18 mil toneladas. A metade da produção está concentrada na região de Primavera do Leste (239 quilômetros ao centro leste de Cuiabá). As pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em relação ao trigo estão avançadas e já tem variedades que apresentam ótima qualidade e excelente índice de produtividade, podendo chegar a 70 sacas por hectare no sistema de irrigação. Com o objetivo de fomentar a produção de trigo no Estado, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato) pretende chamar a atenção dos agricultores para esta alternativa. Segundo o representante da Famato na Câmara Técnica do Trigo, Valdir Corrêa, existem vários programas de incentivo para esta cultura. “Queremos discutir com os produtores a viabilidade do negócio. Se houver interesse da classe, nós pretendemos realizar um seminário para discutir o tema e avançar nesta questão. Quem sabe, poderemos iniciar um processo que poderá colocar Mato Grosso entre os principais produtores de trigo do país”, afirmou Correa. Para agregar valor ao produto, a Famato quer industrializar sua produção no próprio Estado e eliminar a figura do intermediário. Para tanto, vai propor à classe produtora o arrendamento do moinho de trigo instalado no Distrito Industrial e que, há anos, está desativado. “A nossa intenção é de que os próprios produtores administrem o moinho”, afirmou ele. (MM)

Edição edição 16957




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