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Sábado, 03 de Maio de 2008, 15h:10
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FEDERAÇÃO ESPÍRITA
Tente agora lembrar-se do ensino daquelas fórmulas de química
Educando com emoção MARLENE FAGUNDES CARVALHO GONÇALVES de Ribeirão Preto, SP São precisamente as reações emocionais que devem constituir a base do processo educativo. Antes de comunicar esse ou aquele sentido, o mestre deve suscitar a respectiva emoção do aluno e preocupar-se com que essa emoção esteja ligada a um novo conhecimento. Todo resto é saber morto, que extermina qualquer relação viva com o mundo. ¹ (Vigotski) Você pode lembrar-se de um ensinamento de sua infância que ficou marcado em você para sempre? Algo que você nunca mais esqueceu? É possível lembrar-se em que condições esse conhecimento lhe foi ensinado? Pense um pouco sobre isso, lembre-se dos detalhes
Com certeza ali havia emoção, seja de dor ou de contentamento
Tente agora lembrar-se do ensino daquelas fórmulas de química, física ou matemática, que talvez você nunca mais tenha usado. Ou ainda das classes dos seres vivos em biologia, por exemplo. Como eram as condições do ensino destas matérias? O quanto de investimento na emoção havia ali? Entendemos aqui emoção como manifestações corporais de sentimentos, ligados à sensação de agrado e desagrado, às percepções, interesses, regulação de energia, aquilo que toca nossos sentidos
Kardec, em O Livro dos Espíritos, nos alerta para essas condições que a criança oferece para seu entendimento: Deus põe a criança sob a tutela dos pais para que estes a dirijam no caminho do bem, e lhes facilitou a tarefa, dando à criança uma organização débil e delicada, que a torna acessível a todas as impressões. ² A emoção é um caminho para se chegar ao sentimento. Aquilo que nos acostumamos ouvir em nosso meio: se não for pelo amor, será pela dor, reveste-se de uma explicação, que chama nossa atenção justamente para as emoções. Vigotski (1896-1934), um conhecido estudioso soviético de psicologia, disse que nenhuma pregação moral educa tanto quanto uma dor viva, um sentimento vivo, e neste sentido o aparelho das emoções é uma espécie de instrumento especialmente adaptado e delicado através do qual é mais fácil influenciar o comportamento. ¹ Embora a visão deste autor seja fundamentada numa abordagem materialista, é possível buscar, com sua contribuição às ciências humanas e ao entendimento do desenvolvimento humano, explicações que possam embasar nosso conhecimento acerca dos processos de ensino e a influência dos outros no aprendizado de cada um - questão tão importante para a evolução espiritual da humanidade. Ainda então buscando as contribuições de Vigotski, encontramos que: A emoção não é um agente menor do que o pensamento. O trabalho do pedagogo deve consistir não só em fazer com que os alunos pensem e assimilem geografia mas também a sintam.¹ Como fazer isso? O próprio autor responde, dizendo que todo conhecimento deve ser antecedido de uma sensação de sede. O momento da emoção e do interesse deve necessariamente servir de ponto de partida a qualquer trabalho educativo. ¹ A questão aqui tratada é de que toda nossa ação educativa tem que ser repleta de emoções, tem que ter o colorido que fará a diferença naquilo que estiver sendo ensinado. Uma palavra sem emoção é seca, destituída de sentido. Se isto vale para os conhecimentos acerca das leis físicas do Universo, o que dizer sobre as questões morais? O que dizer do nosso trabalho de educadores espíritas? E pensar que muitas vezes repetimos estes mesmos modelos antigos, de apresentação de conteúdos sem emoção, nas aulas de evangelização, ou nas palestras nos Centros Espíritas, acreditando que pelo simples fato de estarmos apresentando os assuntos, estes entrarão automaticamente nas cabeças dos ouvintes. É uma ilusão. Muitas vezes nem o próprio evangelizador/palestrante pode sentir de fato aquilo que está ensinando. Está certo que muitas vezes não temos o domínio do que se passa com as pessoas que vêm em busca destes conhecimentos. Muitas vezes aqueles que chegam até nós já estão - por circunstâncias de suas vidas - motivados e emocionados a ponto de apropriar-se de tudo o que pudermos oferecer. Mas e aqueles - principalmente crianças - que estão apenas de passagem ou que foram levados até nós, sem grandes expectativas? Despertar a sede e o interesse é o grande desafio, para que uma construção de conhecimentos e de valores possa ser iniciada por eles. Este processo não precisa ser sofrido, pode ser prazeroso. Mas, com certeza fará mais sentido se a criança, além de ouvir, puder sentir....