CIDADES
Terça-feira, 02 de Outubro de 2007, 11h:23
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SIMULAÇÃO DA PM
Vítimas padecem sem assistência adequada
THIAGO ITACARAMBY
Da Reportagem
A tragédia promovida durante uma simulação desastrosa da Polícia Militar em Rondonópolis completou quatro meses na semana passada. Até hoje, a Polícia Civil ainda aguarda o resultado do laudo balístico, que pode desvendar a trágica apresentação de resgate de seqüestro da PM. No entanto, vítimas sofrem com esquecimento e o abandono em relação aos serviços prestados pela prefeitura local. Há casos em que a vítima estaria custeando o tratamento médico. Em relação ao repasse dos medicamentos, todos afirmaram que recebem ou receberam de forma devida. A reportagem esteve com alguma das vítimas e muitas delas cobram justiça e dignidade. Na ocasião, a simulação de seqüestro realizada pelo extinto Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Militar, balas de verdade foram usadas no lugar de balas de festim. O episódio resultou na morte de Luis Henrique Dias Bulhões, 13, com um disparo na cabeça. Outras nove pessoas ficaram feridas, entre elas crianças, idosos e um policial, que foram feridos por tiros e fragmentos. Entre as vítimas mais grave, a professora Purcina Adriano Ferreira, 33, resiste ao tratamento médico para a retirada do fragmento alojado atrás do globo ocular, do lado direito. Ela informou que o neurologista da cidade que cuida do tratamento médico não atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A última ida ao médico se deu no dia 26, data dos quatro meses da tragédia. O preço pago pela professora na consulta médica foi de R$ 150. Para a professora que está afastada pelo INSS, sai fora do meu orçamento e compromete com as despesas da casa. O tratamento médico é de seis meses, disse ela. Em novembro ela retorna para Goiânia (GO), onde será submetida a novas avaliações médicas. A professora revelou que esteve em agosto em Goiânia e que foi submetida à avaliação com um especialista bucomaxilo facial e um oftalmologista. A preocupação de Purcina é que o fragmento de bala que está alojado no crânio, próximo ao olho direito, possa causar problemas no futuro em relação à visão. Ela disse que sente fortes dores de cabeça e desmaios constantes. Questionada sobre o repasse do medicamento, ela disse que nunca houve atraso ou negligência por conta do SUS. Em contrapartida, ela destacou que o tratamento psicológico foi interrompido. Segundo ela, o psicólogo, que foi cedido pelo município, apenas compareceu duas vezes em sua casa. De fato, ela não soube explicar se havia recebido alta. O psicólogo não me deu resposta nenhuma, declarou. De acordo com a professora, houve um acordo com o INSS, o qual reduziu o salário em pelo menos 30% para o cumprimento do cálculo dos benefícios. No entanto, foi feito a junção das duas atividades exercidas por ela para obter o benefício. Há mais de dez anos leciona na Escola Municipal Princesa Isabel e também em uma escola privada. Ela informou que não é efetiva da prefeitura e que seu contrato vence no dia 22 de dezembro deste ano.