CIDADES
Segunda-feira, 12 de Março de 2007, 20h:32
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EMÍLIA X CESÁRIO NETO
Violência é resposta contra união
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
A expectativa da fusão de duas das maiores escolas estaduais de Cuiabá, ambas localizadas no Centro e vizinhas, iniciou uma onda de violência entre os alunos. Para fazer uma transição amigável antes de efetivar a união das escolas Emília de Figueiredo e Cesário Neto, a Secretaria de Estado de Educação mandou construir um portão no muro que liga as instituições. Mas o que deveria ser uma transição pacífica se transformou no pesadelo de alunos, pais e professores por causa das brigas entre estudantes das duas escolas, facilitada pela abertura do portão. Na última quarta-feira, duas brigas causaram pânico entre as comunidades dos colégios. Pela manhã, um grupo de alunos da escola Emília de Figueiredo entrou na escola Cesário Neto e espancou um dos alunos. No mesmo dia, à noite, um grupo de alunos (as testemunhas não souberam identificar de qual escola) também aproveitou o portão aberto no muro dos fundos das unidades para entrar na área das salas de aula da Emília de Figueiredo e começar uma outra briga. Dessa vez, no entanto, a situação ficou tão sem controle que foi preciso chamar a Polícia Militar para intervir. Com medo de retaliações e de que os grupos se enfrentassem novamente, a direção da escola Emília de Figueiredo optou por suspender as aulas noturnas na quinta-feira e sexta-feira. O portão ficou trancado com um cadeado. Relatos de alunos que estudam próximo ao local apontam que várias vezes os alunos tentaram quebrar o cadeado para invadir o espaço da outra escola. Em uma dessas oportunidades, uma professora, para acabar com a sensação de medo e a diminuir a tensão dos alunos, foi até o portão e tomou o pedaço de pau com que tentavam arrombar o cadeado. Todo o problema começou no início do ano letivo, com o anúncio de que a escola Estadual Emília de Figueiredo seria fundida com a Cesário Neto para acabar com problemas existentes nas duas. A Emília de Figueiredo, por ser uma escola que oferece a Educação para Jovens e Adultos (EJA), não tem salas de aula suficientes para atender a demanda que a procura. A Cesário Neto, por sua vez, tem uma estrutura grande, com ginásio coberto, mas não tem procura por parte dos alunos. À noite, por exemplo, apenas três salas são utilizadas. Até o final do ano passado, a Seduc mantinha uma parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso para possibilitar a criação de novas vagas do EJA pela Emília de Figueiredo. Alunos da escola estadual que não tinham como estudar na sede, eram encaminhados para UFMT, que cedia salas de aula. Em 2007 a UFMT não mais cedeu o espaço, porque precisava das salas de aula para expansão de cursos. Com o crescimento da demanda na Emília de Figueiredo e salas de aula sobrando na escola vizinha, a equipe da Seduc resolveu acabar com o problema e após várias reuniões com as coordenadorias das escolas, optou por iniciar uma fusão entre as duas. Os alunos, que se dizem rivais, sentiram as dores das escolas e começaram os episódios de violência. Uma aluna da escola Cesário Neto que não quis se identificar falou que o clima de tensão tomou conta das duas instituições. Os alunos falam o tempo todo que não aceitam as mudanças e por causa do livre acesso com a abertura do portão, as brigas são frequentes. Sou aluna e sou mãe de aluno. Tenho medo do que pode acontecer se alguém não tomar uma atitude. Os alunos não foram consultados uma só vez ou preparados para essa mudança. Não tem como ignorar que há alunos de grupos rivais nas duas escolas. Há dias que não conseguimos nos concentrar por causa do medo, comentou a estudante. Também sem querer se identificar, uma professora do Cesário Neto revelou que a situação pode piorar se a segurança não for reforçada. Para ela, a decisão de abrir o portão entre as duas escolas foi típica de gabinete, sem estudar qual seria a reação dos alunos. A professora contou que as brigas e a notícia da fusão das escolas têm causado pedidos de transferências de alunos, com medo do que possa acontecer quando a situação se efetivar. A idéia é ótima e tudo seria lindo se a Seduc tivesse pensado nos alunos e tomado a decisão democraticamente, comentou a professora