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CIDADES
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009, 09h:04

CRIME ORGANIZADO

Viagens de Arcanjo são desperdício

STEFFANIE SCHMIDT
Especial para o Diário
A desnecessária presença do bicheiro João Arcanjo Ribeiro nas audiências que compareceu ontem, em Cuiabá, depois de uma viagem de Campo Grande (MS), onde está custodiado, foi duramente criticada pela promotora de justiça Ana Cristina Bardusco. Ela representa o Ministério Público na acusação de crimes contra o patrimônio público e de formação de quadrilha supostamente cometidos pelo “Comendador” junto à Assembléia Legislativa. “Acho um desperdício de dinheiro público. Arcanjo está muito bem representado por um advogado competente. Não havia necessidade da presença dele”, afirmou. A movimentação ao final do corredor do bloco E denunciava que o esquema de segurança montado não era para um simples réu. Quatro funcionários do Departamento Penitenciário Nacional, além de pelo menos oito policias do Batalhão de Operações Especiais, se revezavam em frente à sala da Vara Especializada contra o Crime Organizado. Duas testemunhas de defesa, Walney de Figueiredo, funcionário da AL, e Zuzi Alves da Silva, coronel da PM, foram arroladas pelas defesas dos funcionários do Legislativo, Guilherme da Costa Garcia e Juracy Brito, também réus no processo. Ambas foram ouvidas no processo em que 11 pessoas são acusadas de uso indevido de verba pública, formação de quadrilha e lesão ao patrimônio público. Outro funcionário da AL, Luiz Jacarandá Filho, também arrolado como testemunha, foi dispensado pela própria defesa. Os dois réus tiveram, ontem, seus processos desmembrados, de acordo com o juiz José Arimatéia Neves Costa, o que permitiu a finalização da instrução criminal. Os autos seguem agora com sete réus para alegações finais. “As testemunhas foram apenas abonatórias, quando declaram o que ficaram sabendo sobre o fato e se conheciam o réu ou não”, afirmou Bardusco. “Nada acrescentaram ao processo”, completou. O caso é resultado da documentação apreendida durante a Operação Arca de Noé, em 2002, que resultou na prisão de Arcanjo. Passados quase seis anos de proposta a ação penal, dois réus já morreram. De acordo com a denúncia do MPE na época, cheques da AL, utilizados para compras em empresas fantasmas, foram descontados pela Confiança Factoring, de propriedade do “comendador”. “Arcanjo jamais teve conhecimento dessas operações. Ademais, descontar cheques em uma factoring é um procedimento normal”, alegou o advogado Zaid Arbid, responsável pela defesa do bicheiro. No outro processo, referente à Operação Arrego, que desmantelou o esquema de jogo do bicho em 2007, em Cláudia e Sinop, apenas o delegado Gilmar Dias Carneiro, um dos corregedores da Polícia Civil, foi ouvido. A escrivã Marlise da Silva Ferreira Matos foi dispensada pela defesa. De acordo com Bardusco, o depoimento dele foi “muito esclarecedor”, já que o delegado participou das buscas à residência da delegada Helena Yloíse, acusada de facilitar o jogo na região.

Edição EDIÇÃO 16959




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