NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 03 de Maio de 2008, 15h:21

AFRO-DESCENDENTES

Unemat ainda é a única com cotas

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
O sistema de cotas à população afro-descendente em universidades públicas do país defrontou-se, na última quarta-feira, com um grupo de opositores. Intelectuais, empresários e representantes de movimentos negros e sociais entregaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), que julga duas ações sobre a fixação das cotas, um documento que questiona a política afirmativa do governo federal. No Estado, a Universidade de Mato Grosso (Unemat) é a única que adota, desde 2005, o sistema de cotas por meio do Programa de Integração e Inclusão Étnica e Racial (PIIER). Vinte e cinco por cento do total de vagas são reservados a estudantes auto-declarados negros e pardos, um dos maiores percentuais adotados no país. De acordo com coordenadora de Concursos Vestibulares, professora Gehysa Atala Curvo, a intenção é promover o maior acesso da população negra à universidade em virtude da ausência deste grupo populacional nos bancos universitários e devido ao fosso de desigualdades na qual estão inseridos. “A saber, basta verificarmos a ausência destes em cargos de grande escalão, como de juízes, advogados, promotores e médicos”, disse. Segundo ela, pesquisas realizadas na área de Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) revelam que somente através do acesso à educação é que a população negra vai obter uma mobilidade social para si e para os demais que convivem a sua volta. Gehysa Atala garante que os objetivos vêm sendo alcançados. Porém, para avançar, ela acredita que é necessário um trabalho de divulgação do programa, além de assegurar no orçamento da instituição recursos específicos para implementação de projetos que garantam a participação dos estudantes cotistas para sua permanência. De acordo com dados da Unemat, desde que foi implantado, um total 52.256 candidatos se inscreveram nos processos seletivos. Destes, apenas 5.901 optaram pelo sistema de cotas e 46.355 não. Até o ano passado, 1.556 estudantes optantes pelas cotas foram aprovados. Embora hoje a instituição não possua um programa de acompanhamento e avaliação desses estudantes, uma das intenções é criar um banco de dados com informações acerca do desempenho e permanência dos estudantes cotistas ao longo de sua trajetória acadêmica, bem como informações que os quantifique de forma mais detalhada. Para a coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Educação, Raça e Alteridade (Negra), professora mestre Jacqueline da Silva Costa, as cotas de certa forma são uma discriminação, porém positiva, pois beneficia um grupo que ao longo do tempo foi prejudicado quanto ao acesso a oportunidades de melhoria de vida. Ela entende que “ao propor políticas públicas para a população negra neste país será sempre um risco, pois há um histórico de racismo velado que incomoda aqueles que usam o discurso da democracia racial para serem desfavoráveis sempre, afirmando a não-existência do racismo para com a população negra”. “De qualquer forma, acreditamos estarem corretos na efetivação do programa de cotas para negros e nada como um dia após o outro para que as pessoas tomem conhecimento dos reais objetivos do programa. Esperamos que a efetivação do PIIER seja um exercício de cidadania”, disse. Gehysa Atala lembrou ainda que num momento em que cerca de 50 universidades estaduais implantam o sistema, a Unemat não poderia ficar de fora. “A implantação das cotas reafirma o compromisso para com a população negra do estado de Mato Grosso”, observou.

Edição edição 16957




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL