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CIDADES
Sábado, 29 de Agosto de 2009, 08h:35

BALNEABILIDADE

Três praias da região são impróprias

Estudo da Sema analisou 23 locais de Mato Grosso, entre Baixada Cuiabana e oeste de MT. São Gonçalo, Bonsucesso e Carne Seca são reprovados

STEFFANIE SCHMIDT
Especial para o Diário
Onde se pega o peixe não se toma banho. Pelo menos essa é a recomendação do estudo divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), que apontou três praias em Mato Grosso como impróprias para banhistas: na comunidade São Gonçalo, em Cuiabá; em Bonsucesso, localizado em Várzea Grande, e na Praia da Carne Seca, na região de Cáceres (225 quilômetros a oeste de Cuiabá). Este é o segundo ano consecutivo que as praias da comunidade São Gonçalo e da Carne Seca são reprovadas no teste. As águas são consideradas próprias para banho quando 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas do estudo obtiver, no máximo, 800 bactérias Escherichia coli a cada 100 mililitros de amostra. A bactéria é uma das mais antigas encontradas no ser humano. É tida como um microrganismo natural da flora intestinal do homem e da maioria dos animais de sangue quente, sendo, portanto, normalmente encontrado nas fezes destes animais. Na comunidade São Gonçalo, os moradores sabem que por baixo daquelas águas barrentas do Rio Cuiabá ainda existe vida. A maioria não toma mais banho no local, mas continua retirando peixe para subsistência, que não maléfico à saúde. “Mas a gente percebe que a quantidade de peixe diminuiu. Hoje, venho aqui mesmo só pra passar o tempo, se pegar alguma coisa é lucro”, afirmou Jonathan Santos de Oliveira, 23. Ele frequenta o local há 16 anos, desde que retornou à Capital. No início da comunidade, um balanço de madeira preso a uma árvore denuncia que ali já foi um lugar muito frequentado por banhistas. Fica a aproximadamente um quilômetro acima de um grande cano de esgoto. A pesquisa foi feita no período de seca, entre os dias 15 de julho e 7 de agosto. Com a chuva fora de época que caiu sobre Cuiabá no mês de agosto, a situação do rio melhorou um pouco. “Quando não chove, aqui fede muito. Antes, não era assim. A água era verdinha, clarinha”, afirmou Jonathan que, de vez em quando, não dispensa um mergulho. De opinião contrária, o pintor Rodrigo da Silva, 20, frequenta o local desde os 10, mas não se arrisca a entrar na água. “Vejo pelos peixes que sumiram. Não tenho coragem de entrar”, disse. De acordo com o coordenador de Recursos Hídricos da Sema, Leandro Maraschin, banhistas que se aventurarem devem saber que correm risco de contrair doenças de veiculação hídrica. As mais comuns são cólera, febre tifóide, diarréia e amebíase. Contrair ou não a doença depende diretamente de fatores como imunidade, tempo de exposição à água e ingestão do líquido, por exemplo. No ano passado, dos 24 locais analisados, as praias de Santo Antônio de Leverger, Bonsucesso, Praia Grande e Rio Paraguai, em Barra do Bugres, não passaram no teste de balneabilidade. Este ano, 23 praias foram analisadas na Baixada Cuiabana e região oeste do Estado. De acordo com a Sema, Praia Grande, Balneário Sesc e Balneário Coxipó do Ouro não foram inclusas no estudo deste ano, pois são praias que não tem fluxo considerável de pessoas.

Edição EDIÇÃO 16958




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