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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 02 de Junho de 2001, 16h:05

DEFICIENTES VISUAIS

Secretaria de Educação quer facilitar acesso ao ensino

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
A rede pública de ensino atende em 17 dos 139 municípios de Mato Grosso 279 alunos deficientes visuais, mas a clientela escolar que depende de atendimento especial por cegueira absoluta ou visão extremamente limitada é de aproximadamente 500 estudantes. Isso é o que sustenta a professora Araci Martins de Souza, diretora do Centro de Apoio ao Portador de Deficiência Visual (CAP) da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), em Cuiabá. Para ampliar o leque de atendimento, de maneira que o aluno deficiente visual tenha condições de se matricular na escola tradicional mais perto de sua residência, a Seduc realizou de quarta-feira até ontem, em Cuiabá, um curso de avaliação pedagógica direcionado ainda a outras áreas de portadores de necessidades especiais iguais a surdos, mudos e paraplégicos, com participação de psicólogos, alunos, ex-alunos e professores e diretores de escolas da rede pública de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres, Barra do Bugres, Sinop e Diamantino. A Seduc pretende estimular o aluno portador de deficiência a freqüentar sala de aula e, para tanto, criou uma infra-estrutura setorizada para cada tipo de necessidade especial. No caso específico da cegueira absoluta ou visão extremamente limitada, o professor que receber matrícula de estudante nessas condições fará treinamento especial do CAP. Segundo a professora Araci, praticamente não existe evasão escolar nem repetência no âmbito dos deficientes visuais. O aprendizado pelo alfabeto em Braille e com o emprego do método Soroban para o ensino de matemática, em sala especial de apoio, é o primeiro passo para se chegar ao ensino tradicional e se transforma num permanente desafio para o aluno, que busca superá-lo a cada dia. O aluno com visão extremamente limitada recebe equipamentos especiais iguais a lupa e telescópicos através de uma parceria do CAP com os ministérios da Saúde e da Educação. A disponibilização desses mecanismos permite ao estudante melhor desempenho em classe. Em Mato Grosso quatro escolas especializadas em deficientes visuais preparam alunos para a rede pública. Duas delas estão instaladas em Cuiabá, no CAP e no Instituto de Cegos do Estado de Mato Grosso (Icemat) e, as demais, em Barra do Bugres na Escola Santa Luzia e em Rondonópolis no Centro de Reabilitação Louis Braille. É grande a parcela da população mato-grossense com problemas visuais que atingem todas as faixas etárias e mais destacadamente acima dos 40 anos. O deficiente visual não está presente apenas nas salas de aula. Ele ocupa posições no mercado de trabalho, praticamente não é estigmatizado e enfrenta menos problema de locomoção do que outros portadores de necessidades especiais iguais aos que se utilizam de cadeiras de rodas. E isso, porque em Cuiabá são poucas as rampas em prédios públicos e particulares, o acesso a bancos é complicado pelas dimensões das portas giratórias blindadas e na maioria dos cruzamentos não há rebaixamento de meio-fio. Alunos deficientes visuais que participaram do curso disseram que não enfrentam barreiras nas salas de aula. “Ao contrário, colegas e professores nos tratam diferenciadamente, a melhor”, observa Eronias Barbosa dos Santos, matriculado na 8ª série da Escola Estadual André Avelino Ribeiro, do CPA-I. LEIA TAMBÉM #LINK#54334#Escuridão até mesmo nos sonhos

Edição edição 16957




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