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CIDADES
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009, 21h:17

APELO EM CUIABÁ

Sanecap recebe média de 200 pedidos de carros-pipa no dia

STEFFANIE SCHMIDT
Especial para o Diário
Para quem vive de espera, alguns dias pode parecer muito, mas existem famílias que aguardam até 15 dias para ter água em casa. Esse é o caso da dona-de-casa Ana Lidia de Caravlho, 55, moradora do bairro Dr. Fábio Leite. Ela faz parte do contingente de 200 pedidos de água, registrados, em média, todos os dias pela Sanecap. A demanda é por carros-pipa, que levam um pouco de água onde a rede de abastecimento é deficitária. Todos os moradores ouvidos pela reportagem afirmam que o problema se agravou no último mês, quando iniciou o período de seca no Estado. A Sanecap não admite o racionamento. “Nossa obrigação é manter o abastecimento, 24 horas, ininterruptamente. Quando algum problema acontece, é localizado, ou é avaria na rede ou na casa do consumidor”, afirmou o gerente operacional do órgão, Noé Rafael da Silva. Pelo menos, a Sanecap admite que nesta época do ano o consumo de água aumenta em até 30% em Cuiabá. Na rua Sorriso, do bairro Dr. Fábio, onde mora dona Lídia, o problema é localizado há 22 anos, desde que o bairro surgiu. “E toda vez, nesta época do ano, a gente precisa peregrinar pra ter água do caminhão. Quando vem eu economizo tanto que dura até 20 dias”, contou a dona-de-casa, que chega a ir a pé até o órgão por falta de passagem de ônibus. “A gente ainda chega lá e é humilhado”. O atendimento, quando feito nas redondezas da região central da cidade, consegue suprir o pedido de até 100 famílias, segundo informações do gerente operacional da Sanecap. A frota é composta de 11 carros-pipa. A preferência, segundo ele, é pelo consumidor que está com as contas em dia. Mesmo sendo integrante dessa lista, dona Lídia aguarda, costumeiramente, os 15 dias. O líquido que “não chega” pelo cano da rua, segundo ela, vem em dias intercalados e o suficiente para encher três baldes. A dona-de-casa Tereza Helena de Jesus Rosa, 36, moradora do bairro Altos da Serra, dá “graças a Deus” por conseguir que s água chegue até o reservatório da casa. “Claro que, de um mês pra cá. não dá nem pra encher, mas meus vizinhos têm de aparar no balde, às vezes de madrugada”, afirmou. No último sábado, foi assim que a manicure Zilda Lima dos Santos, 29, “se divertiu”. “Como tinha que ficar acordada para esperar a água chegar, comprei uma cervejinha e fiquei até as 4h da madrugada de domingo esperando. Pelo menos consegui”, afirmou a moradora do bairro Três Barras. A orientação da Sanecap é para que a população evite o desperdício e racionalize o uso de água.

Edição EDIÇÃO 16958




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