CIDADES
Sábado, 09 de Setembro de 2006, 14h:35
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ALPHAVILLE
Rombo pode chegar a R$ 3,5 milhões
Advogados da empresa já calculam novo valor, que teria sido desviado por um ex-funcionário de 14 anos de casa, que será ouvido amanhã pela polícia
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
O rombo causado ao Alphaville Cuiabá um dos maiores condomínios de luxo da Capital pode ser muito maior, e envolver mais pessoas do que se imaginava a princípio. O levantamento que vem sendo feito pela Construtora e Incorporadora Itália, responsável pelo empreendimento, já aponta um desvio de mais de R$ 3,5 milhões. O principal suspeito é o ex-auxiliar financeiro da empresa, Sillas da Rocha Capobianco, 28 anos, que teve todos os seus bens arrestados pela Justiça e poderá ter a prisão decretada a qualquer momento. Com um salário de R$ 2,2 mil, seu patrimônio inclui 14 carros de luxo BMW, Audi e Toyota -, postos de gasolina, lanchas e imóveis de alto padrão. De acordo com os advogados da empresa, Capobianco agia por meio de operações de transferência via internet, fraudando comprovantes de depósito com a ajuda de um editor de textos comum e, depois, transferindo os valores para contas em seu nome e em nome de sócios e parentes. Ele se valeu da confiança conquistada após quase 14 anos de casa. Era como um filho para o senhor Orlando e, portanto, acima de qualquer suspeita, diz o advogado Eduardo Henrique Vieira Barros, em referência ao empresário Orlando Nigro Filho, proprietário da Incorporadora Itália. Com comportamento naturalmente reservado, Capobianco nunca despertou a atenção dos colegas. Quem o conhecia do trabalho, não poderia jamais imaginar o padrão de vida que ele levava. O Sillas vivia em uma mansão, com TV de 49 polegadas e vários carros de luxo à disposição, diz Barros. ACASO - A descoberta das operações fraudulentas do funcionário se deu após uma verificação ocasional em que encontrada uma diferença de R$ 30 mil entre valores que deveriam ter entrado nos cofres da empresa. Chamado a se explicar, Capobianco teria, segundo o advogado, confessado ser o autor do desvio. Ele disse que estava passando por problemas e que iria devolver o dinheiro. Como se tratava de um funcionário antigo, ainda houve uma tentativa de resolver a questão de forma amigável. No dia seguinte, ele desapareceu. Antes, porém, ainda conseguiu desviar outros R$ 89 mil. Seguindo seu rastro, os advogados da empresa já descobriram que o ex-funcionário assinou, na cidade de Alto Garças, um contrato de transferência de um de seus imóveis. Ou seja, ele já havia deixado a Capital e tentava se desfazer de todo patrimônio em seu nome. A Justiça decretou o arresto de todos os bens. Isso significa que qualquer contrato de compra e venda realizado pelo Sillas será considerado nulo. É importante que as pessoas estejam cientes disso antes de fechar qualquer negócio com esse senhor. Quem fizer negócio com ele vai perder dinheiro. Capobianco foi intimado pela delegada Valéria Pimenta, que preside as investigações, a depor nesta segunda-feira. As investigações, até o momento, apontam para a participação de mais pessoas na fraude, entre sócios do auxiliar financeiro e mesmo outros funcionários da empresa. Ele não agiu sozinho.