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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 02 de Junho de 2001, 16h:04

Relatos incluem referência a outros povos

Mitos europeus, africanos e indígenas navegam no mesmo barco. Na origem dos relatos brasileiros sobre as águas e seus encantamentos, podem ser encontradas referências de outras histórias espalhadas pelos quatro cantos do mundo. A confluência de relatos inclui ainda influências do oriente, herdadas pelos 300 anos de dominação moura sobre o povo lusitano. “Um dos grandes mitos contados em Portugal era a Moura Encantada, que guardava tesouros para o dia em que os mouros voltassem ao país”, cita o pesquisador Mário Cézar Leite. Sob ameaça, a guardiã transformava-se em serpente. A mistura de mitos também deságua em território africano. Segundo Mário Leite, as influências da cultura negra são um dos aspectos mais interessantes do encantamento atribuído à baía de Chacororé. Um dos relatos sobre a Mãe d’Água, por exemplo, revela que ela combinou dar a um pescador 500 quilos de peixe, desde que, em troca, ele a presenteasse com um pente, uma toalha e um sabonete. “Isso evidencia a carga mitológica africana e a forte presença das mães afro-brasileiras”, considera Mário Leite. Segundo a lenda, a oferenda foi colocada sobre uma pedra e o pescador conseguiu seu presente, em troca. Depois, a água passou a exalar sabonete, que perfumava em qualquer parte da água em que se tocasse. O mito do barco encantado - que assombra as noites da baía de Chacororé – também está presente em outras culturas, tempos e espaços. Mário Leite enxerga ainda semelhanças entre ‘Si’ – mãe indígena – e a lenda européia da sereia encantada. “Os portugueses foram ‘colando’, sobre as histórias indígenas, seus próprios mitos”, acredita Mário Leite. Ele observa ainda que a maioria dos seres em forma de gente que vivem nas baías são descritos com cabelo claro – “como ouro sobre a água”, completa. Mário Leite observa ainda que a carta de Pero Vaz de Caminha é o reflexo da importância da água para as populações indígenas. O pesquisador destaca em sua tese que água limpa foi um dos primeiros presentes dados pelos índios aos “visitantes” portugueses. “Eles ofereciam cuias e enchiam barris”, descreve ele, acrescentando: “Depois de ler isso, passei sobre a ponte do rio Cuiabá. ‘Que miséria’, pensei”. (CP) LEIA TAMBÉM #LINK#54525#Mitos do Pantanal vivem transformação #LINK#54527#Relatos incluem referência a outros povos #LINK#54529#Seres míticos são ambíguos #LINK#54528#‘Minhocão’ é o mais temida criatura das águas

Edição edição 16957




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