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CIDADES
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010, 21h:42

CENA DE GUERRA

PSMC em novo relatório

CRM aponta 10 itens em desacordo com condições mínimas de tratamento de pacientes, amontoados no box de emergência

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
A prefeitura de Cuiabá anunciou para a próxima segunda-feira a inauguração da reforma do Hospital e Pronto-socorro Municipal (HPSMC). Porém, ontem o Conselho Regional de Medicina (CRM) apresentou um relatório de vistoria feita no box de emergência da unidade hospitalar em que enumera os itens que ilustra a precariedade e a falta de condições de atendimento no local. “Da forma como as pessoas são tratadas, o pronto-socorro funciona como um campo de concentração de guerra, onde pacientes são jogados pelo chão e em condições subumanas e africanas de atendimento”, classificou o presidente do CRM, Arlan de Azevedo Ferreira. A inspeção foi feita no dia 23 deste mês, a pedido do Ministério Público (MPE). O relatório traz 10 itens apontando inúmeras irregularidades. A primeira delas refere-se à sala vermelha (onde chegam os pacientes críticos). Lá, segundo Azevedo, o atendimento é improvisado com doentes em macas e cadeiras, não existe local adequado para preparo de medicamentos e não existem as mínimas medidas de higiene e proteção. Há apenas dois aparelhos de oximetria de pulso para cinco leitos, de acordo com o presidente. Já na sala de reanimação há um único lavatório e banheiro em condições precárias, não há monitores para os pacientes e medicamentos são colocados em recipientes para a coleta de secreções fisiológicas. “No teto do corredor do pronto-socorro há vazamento de água, que pelo odor, pode-se inferir que seja água de esgoto ou tubulação danificada”, destacou. O box de emergência, destinado a pacientes com traumas, está localizado no mesmo espaço físico e com a mesma estrutura do pronto atendimento (PA), da clínica médica. Da mesma forma, improvisado está o setor de ortopedia, que funciona junto com a sala de gesso. “Nesta sala, o teto está danificado colocando em risco os profissionais e usuários do local”, informou. “No corredor havia mais de 20 pessoas sentadas em cadeiras de fio, no chão, em bancos improvisados e em armários”, acrescentou. Faltam leitos e há problemas de superlotação. “Na sala de trauma, além da inexistência de monitores, no dia da inspeção, havia 70 pessoas de forma completamente incorreta, insalubre e acarretando riscos a todos”, informou. “Havia um paciente de 80 anos, em condições subumanas, recebendo atendimento deitado no chão”, acrescentou. O armário para armazenamento do material estéril também se encontra em péssimas condições de uso e higiene e o ventilador está com defeito. Além da falta de identificação dos profissionais, pacientes e acompanhantes, é destacada ainda a falta de privacidade para atendimento de homens e mulheres, banheiro único e precário para ambos os sexos e prontuários preenchidos em desacordo com o Código de Ética Médica (CEM), além de colocados em locais inapropriados. A reforma foi feita na parte superior do prédio, onde são feitas as internações. Já o box de emergência funciona no térreo, onde os problemas foram detectados. “Priorizou-se a obra e não houve o cuidado necessário com o box de emergência. Não resguardaram a integridade de quem está no box”, enfatizou. Por outro lado, ao mesmo tempo em que criticou a falta de agilidade na entrega da reforma do PSMC, iniciada em outubro do ano passado, Azevedo considerou a nova proposta de estrutura como boa. Foram investidos R$ 6 milhões, sendo R$ 3 milhões destinados às obras estruturais e os outros R$ 3 milhões para a aquisição de novos equipamentos. Além do MPE, o documento será encaminhado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para que tome as providências necessárias de forma urgente. Caso contrário, a Justiça pode ser acionada.

Edição EDIÇÃO 16958




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