CIDADES
Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010, 10h:48
A
A
NÍVEL MÉDIO
Provas com equívocos
Professor aponta erros em 5 de sete questões de história e geografia de MT trazidas no último exame do megaconcurso
Cinco das sete questões de história e geografia mato-grossenses do concurso público estadual de nível médio foram aplicadas na prova com erros de informação e até com indícios de repetição e plágio. As observações são do professor Marcos Amaral Mendes, que analisou a prova e trouxe à baila, mais uma vez, a capacidade técnica da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em elaborar provas de concursos. Como era de se esperar, novamente a Unemat cometeu erros na formulação das questões, criticou o professor. As questões apontadas como irregulares, e sujeitas a recurso por parte dos candidatos do concurso, são as de número 16, 17, 18, 19 e 22 da prova tipo A de história e geografia regionais. Embora tenham sido analisadas na prova para o cargo de bombeiro militar, as questões foram aplicadas a candidatos de outras áreas do concurso público. As questões de número 16, 18 e 22 apresentam, segundo Mendes, erros de informação, formulação e de gabarito. A 17 é o caso mais grave na opinião do professor: seria um plágio de uma questão da prova do concurso público estadual para assistente de administração em 2006, elaborada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já a 19 teria sido copiada de uma prova produzida pela Unemat para o concurso público do MT Fomento em 2008. No caso do suposto plágio, a questão enuncia: A lei complementar nº 31, de 11 de outubro de 1977, determinou o desmembramento do estado de Mato Grosso em duas unidades federativas. Assinale a alternativa correta que apresenta uma das razões oficiais para o ato citado. É o mesmo enunciado da questão 24 da prova do concurso de 2006, segundo Mendes. Nem colocaram sinônimos pra poder disfarçar, indigna-se. Além disso, a única diferença na questão em relação à original de 2006 são duas alternativas. A questão plagiada coloca a capacidade técnica da Unemat por água abaixo, sentencia Mendes. Outra questão criticada é a 19. O enunciado trata das eleições em Mato Grosso durante a Primeira República (1889 1930) e é idêntico ao da questão 36 presente na prova para agente do MT Fomento em 2008. Nem as alternativas de resposta se diferenciam. Seria uma simples repetição. Já no caso da questão 16, que demanda do candidato a época em que os bandeirantes paulistas conquistaram e povoaram o território mato-grossense, Mendes afirma que a resposta correta (a partir de 1.648, com Raposo Tavares) não corresponde ao gabarito, que aponta o período entre os anos de 1.673 e 1.682. Para justificar o recurso sobre esta questão, Mendes usa de referências bibliográficas como Lenine Campos Póvoas, João Carlos Vicente Ferreira e Virgilio Corrêa Filho. A quarta questão criticada pergunta como se fortaleceu o processo de colonização do Estado, e o respectivo gabarito aponta os projetos oficiais de colonização dos anos 70. Para Mendes, este é um erro gritante. Em qualquer livro de geografia aparece a informação de que o que prevaleceu no Estado a partir da década de 70 foram os projetos privados de colonização, argumenta. Por último, a questão 22 contém duas alternativas corretas de classificação das características climáticas de Mato Grosso (A, equatorial úmido, e D, tropical seco-úmido), mas o gabarito só assinala a segunda opção. OUTRO LADO A Secretaria de Estado de Administração (SAD) informou que não poderia se manifestar a respeito dos problemas apontados no concurso por estar correndo ainda o prazo permitido para recursos, que se encerrou ontem às 18h. Da mesma forma, a assessoria da Casa Militar, cujo titular Alexander Maia coordena o comitê de acompanhamento do concurso, informou que só poderá se pronunciar sobre as provas a partir de hoje, mas que os problemas apontados já estão sendo analisados.