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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 13h:16

SANEAMENTO

Prefeitura volta a distribuir hidrômetros para residências

CARLOS MARTINS
Da Reportagem
A prefeitura de Cuiabá retomou a política de bancar a instalação de hidrômetros na capital. Atualmente estão instalados cerca de 60 mil aparelhos na cidade, mas este número poderia ser bem maior. Para a Sanecap (Companhia de Saneamento da Capital) interessa que as medições da água consumida sejam feitas adequadamente, por isso, os aparelhos estão sendo comprados e instalados pela empresa. A estimativa é que 53% da água captada não seja comercializada. Nesse percentual, contabilizado como perda, estão incluídos os valores não medidos, as perdas físicas por vazamento na rede, rompimento de tubos, e ainda as perdas comerciais por fraudes (gambiarras) e as submedições (hidrômetros com defeito ou violados). Entre os bairros que a Sanecap começou a instalar os hidrômetros estão o Xangri-lá, Califórnia, Boa Esperança, Santa Cruz e Jardim América. Em geral, nas residências que não possuem os hidrômetros era cobrada a taxa mínima de 10 metros cúbicos de água, que custa R$ 9,40. Dependendo da taxa de esgoto, o valor cobrado não superava os R$ 20. Como forma de pressionar os moradores a colocar os hidrômetros, a Sanecap passou a cobrar uma taxa mínima correspondente a 30 metros cúbicos. Com a taxa de esgoto, as contas ficam no máximo entre R$ 80 e R$ 100 mensais. Ocorre que em muitas destas residências, localizadas em bairros nobres, estão instaladas piscinas e se a água consumida fosse medida por um hidrômetro, o valor que o morador pagaria seria por certo bem maior. A receita hoje da Sanecap gira em torno de R$ 3,3 milhões mensais e poderia crescer na medida em que as medições aumentassem. No Bairro Boa Esperança, por exemplo, pelo menos cem moradores não permitiram que a Sanecap instalasse os hidrômetros. Eles não autorizaram a entrada dos funcionários, já que o cavalete fica dentro da propriedade. Diante da negativa, a Sanecap está fazendo uma relação destes moradores e irá enviar uma carta informando que a prefeitura vai instalar um hidrômetro naquele endereço. Se o morador mais uma vez não permitir, a prefeitura irá instalar um cavalete no lado externo da casa. “Será acessado um ramal no passeio público e instalado na calçada um cavalete com hidrômetro. A antiga ligação será fechada”, avisou o diretor técnico da Sanecap, engenheiro Édio Ferraz Ribeiro. Atualmente, a água captada dos rios Cuiabá e Coxipó é de cerca de 9 mil metros cúbicos por hora, água que é tratada em 11 Estações. Além disso, existem cerca de 70 poços artesianos espalhados pelos bairros mais distantes. O cálculo que os engenheiros fazem do consumo de água em Cuiabá é de 300 litros diários por habitante. Nesse total leva-se em conta o número de vezes que uma pessoa vai ao banheiro, a quantidade de água que se gasta para lavar roupa, tomar banho ou cozinhar. Se, por exemplo, 20% da população em determinado horário do dia ou época do ano (mais quente) gastar mais do que essa projeção, isso já vai desregular o sistema. E isso pode acontecer no momento em que o consumo for maior, seja em razão das temperaturas mais altas ou da maneira em que se usa uma mangueira de água para lavar o carro. “Em alguns momentos a pessoa faz tudo o que não deve com a água tratada. O carro deve ser lavado no posto e não em casa”, adverte o diretor.

Edição EDIÇÃO 16958




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