CIDADES
Sábado, 26 de Julho de 2008, 14h:04
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AVENIDA DO CPA
Prédio abandonado abriga família
Há décadas parada em uma das áreas mais nobres de Cuiabá, obra agora serve de moradia e meio de vida para grupo que veio de Chapada
ALECY ALVES
Da Reportagem
Em uma das áreas mais nobres de Cuiabá, o prédio planejado para ser um hotel luxuoso, cuja construção está parada há cerca de 15 anos, literalmente virou um galinheiro. O imóvel está localizado na avenida Historiador Rubens de Mendonça (do CPA), no cruzamento com a rua Conselheiro Ênio Vieira, bairro Consil. Há alguns meses uma família ocupou a parte dos fundos da construção, no setor que provavelmente seria a cozinha do hotel, e ali começou a criar galinhas. O galinheiro foi improvisado entre o edifício e a parte do muro que dá acesso à avenida do CPA. Criadas livres numa área de mais de pouco mais de 400 metros quadrados, as galinhas fizeram ninhos em diversos pontos. Natural de uma comunidade rural do município de Chapada dos Guimarães, Maria José Rodrigues, que mora na construção há dois anos, contou que trouxe as galinhas do sítio do pai. Segundo ela, as aves estão sendo criadas na cidade há seis meses. Elas (as galinhas) já começaram a botar, disse. De acordo com Maria José, dias atrás a moradora do prédio vizinho avistou as aves pela janela do apartamento a procurou com a intenção de comprar ovos caipiras. Maria não vendeu, mas doou uma dúzia para vizinha como forma de agradecer, segundo ela, as roupas e calçados que recebeu dela e levou para os parentes e amigos da localidade onde morava. Além do galinheiro, o prédio também funciona como ponto de secagem e embalagem de plantas (folhas, cascas e raízes) medicinais vendidas na cidade por um amigo da família de Maria José. Nesta semana, no horário em que a equipe de reportagem do Diário esteve no local, grande quantidade de folhas e cascas de plantas secavam ao sol espalhadas sobre mantas de tecido. Num outro canto havia sacolas plásticas transparentes com produtos similares prontos para a comercialização. A construção abandonada não serve de lar somente para Maria José, o marido e dois filhos. Abriga também três sobrinhas de Maria que viviam na zona rural de Chapada e vieram para Cuiabá com o objetivo de trabalhar e estudar. Sobre o hotel, pouco se sabe na vizinhança, mas muito se comenta. Os moradores da região sabem apenas que era uma obra do grupo Haddad que, supostamente, teve as obras paralisadas por causa de problemas relacionados ao projeto arquitetônico. Nem mesmo a diretoria do sindicato da rede hoteleira de dispõe de informações sobre a obra. A reportagem tentou contato com a construtora responsável, mas não obteve resposta.