CIDADES
Sábado, 03 de Maio de 2008, 15h:22
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TRÂNSITO
Pedestres abusam da desatenção na Capital
Alheios aos riscos comuns do tráfego de veículos, transeuntes pouco lançam mão dos dispositivos de segurança para percorres vias da cidade
ALECY ALVES
Da Reportagem
Além dos riscos comuns do trânsito nas ruas de Cuiabá - a ocorrência de acidentes provocados pela imprudência dos motoristas, condições das pistas e falta de sinalização -, poucos minutos de observação em alguns pontos da cidade são suficientes para constatar o abuso de pedestres. Muitos atravessam avenidas e cruzamentos de grande fluxo de veículos alheios à movimentação dos carros, ônibus e motos e a poucos metros das faixas de pedestres. Mais grave ainda, até violam grades de proteção instaladas nos canteiros para restringir a travessia aos pontos onde há faixas de pedestres ou são mais adequados e seguros. Num trecho de pouco mais de 50 metros do cruzamento das avenidas Tenente Coronel Duarte (Prainha) e Generoso Ponce, na quadra entre as praças Maria Taquara e Bispo Dom José, apressados, pedestres arrombaram a grade do canteiro e fizeram do buraco uma passagem freqüente. Por lá passam pais com filhos nos braços ou segurando-os pelas mãos, idosos, estudantes e até pessoas que recentemente foram vítimas de acidentes de trânsito e ainda caminham com dificuldade. Nessa última situação se encaixa a auxiliar de enfermagem Ellen Silva, que há seis meses quebrou o pé num acidente de moto. Sei que é errado, mas posso garantir que não faço isso habitualmente, justificou Ellen. Ela contou que estava com pressa e que só cruzou a pista em local impróprio porque viu que o carro estava distante e lhe oferecia segurança. Usando som com fones de ouvido, o estudante Luiz Wellington da Costa Bispo, de 26 anos, cruzou a pista apressadamente. Como já passava das 15 horas, ele argumentou que tinha muita pressa para chegar em casa porque estava sem almoço. Uma mulher que aparentava ter mais de 60 anos cruzou a pista a poucos metros de um ônibus, correndo risco de ser atropelada, e não quis saber de conversa com a equipe de reportagem. Simone Batista Medeiros de Jesus, que trabalhar em uma lanchonete vizinha, disse que se sente mais segura passando pelo ponto onde há o rombo na grade do que na faixa de pedestre. A faixa é muito próxima do cruzamento e os motoristas não respeitam a sinalização, reclamou. Entre 2002 e 2005, quando ainda existiam dados específicos sobre atropelamentos na Capital, pouco mais de 1.800 pessoas foram atropeladas nas ruas de Cuiabá. Dessas, 110 morreram e outras dezenas ficaram com seqüelas graves. O índice de mortos e feridos nesse tipo de acidentes variou entre 15% e 18% do total dos acidentes de trânsito colisões, capotamentos, choques em postos e outros. Em 2002, por exemplo, a polícia registrou 27 mortes e 363 feridos. Em 2005, o número de óbitos saltou para 27 e o de lesões graves, para 520. A partir de 2006, com a extinção da Delegacia de Delitos de Trânsito, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) deixou de contabilizar separadamente os casos de atropelamentos. Semana passada, alegando problemas de ordem técnica na Gerência de Estatística da Polícia Judiciária Civil (PJC), a assessoria de imprensa do órgão disse que não conseguiu gerar estatísticas das ocorrências de trânsito com detalhamentos.