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CIDADES
Segunda-feira, 07 de Junho de 2004, 21h:12

ANIMAIS SILVESTRES

Operação aplicou R$ 50 mil em multas

Equipe do Ibama está desde o dia 29 de maio no Vale do Guaporé coibindo o tráfico de espécies

MARIA ANGÉLICA OLIVEIRA
Da Reportagem
Já somam mais de R$ 50 mil as multas aplicadas na operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para coibir o tráfico de animais silvestres na região do Vale do Guaporé. Além de animais, também foram encontrados caminhões com madeira irregular. Levantamentos apontam que Mato Grosso ocupa o segundo lugar nesse tipo de crime, perdendo apenas para o Amazonas. Desde o dia 29 de maio, o grupo coordenado pelo chefe do núcleo de Fauna e Recursos Pesqueiros, Jacob Ronaldo Kufnner, está percorrendo municípios como Pontes e Lacerda, Cáceres, Comodoro, Jauru, Juína, Diamantino e Vila Bela da Santíssima Trindade. A equipe ainda vai checar denúncias em outros dois municípios e deve retornar a Cuiabá essa semana. A operação se concentrou em Pontes e Lacerda, considerada foco do tráfico de animais, onde foram feitas as maiores apreensões. Foi encontrado um criadouro clandestino de 78 pássaros canoros (de canto), como curiós e bicudos. A multa aplicada para cada animal é de R$ 500. No caso do bicudo, que está na lista de espécies ameaçadas de extinção, chega a R$ 5 mil. Segundo Jacob, o criador era registrado no Ibama, porém os pássaros estavam com anilhas adulteradas. A anilha é obrigatória para qualquer pássaro criado em cativeiro e certifica a procedência do animal, que é catalogado pelo Ibama. É um pequeno anel com número de série e diâmetro adequado para o tamanho de cada espécie e para filhotes. Há denúncias de que ela estaria sendo fabricada em tamanhos maiores para pássaros adultos. Outro caso encontrado é o uso de anilhas antigas, que antes eram fabricadas e distribuídas pelas federações. No ano passado, a venda e distribuição passaram a ser atribuição exclusiva do Ibama. Também em Pontes e Lacerda, a equipe encontrou um ponto de venda de pássaros comandado por um traficante de animais da região. Ele não foi encontrado no local, próximo ao córrego Barreiro. Foram apreendidos 13 passarinhos, incluindo uma espécie rara de maritaca. As gaiolas foram destruídas. Os pássaros apreendidos que ainda conservavam estado de selvageria foram libertados em fazendas da região. Aqueles que já estavam domesticados ficaram sob a guarda de criadores autorizados. Outra multa de R$ 5,5 mil foi aplicada em um caçador clandestino. Ele caçava pacas e catetos (espécie de porco do mato), criava e vendia para restaurantes da região. Dez pacas e um cateto encontrados na casa dele foram devolvidos à natureza. O caçador não foi preso porque não houve flagrante. A criação de espécies como pacas, catetos e queixadas pode ser feita desde que autorizada pelo Ibama. A equipe visitou criadouros registrados em Jauru e Vila Bela da Santíssima Trindade. Jacob também recebeu animais por meio de entrega voluntária. Nesses casos, o criador não é multado. Um deles entregou um quati macho, que foi doado depois ao campus da Unemat. Em Juína, foi apreendido um filhote de jaguatirica criado no quintal de uma casa. Funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema) vão trazer o filhote para o zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ele não pode ser devolvido à natureza porque não aprendeu a caçar e não sobreviveria. Essa está sendo a segunda fiscalização realizada pela gerência do Ibama esse ano. Na primeira, em março, foram apreendidos 58 pássaros criados em cativeiros irregulares. As multas aplicadas totalizaram R$ 18 mil. No passado, quando 71 pássaros canoros foram capturados.

Edição edição 16957




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