CIDADES
Terça-feira, 11 de Setembro de 2012, 21h:03
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FALTA INVESTIMENTO
Número de leitos reduziu 10% em 7 anos
Déficit chega a 3 mil em todo o Mato Grosso e atinge os setores de clínica geral, cirurgia, pediatria e obstetrícia
Laura Nabuco
Da Reportagem
Mato Grosso perdeu 589 leitos em hospitais nos últimos sete anos, o equivalente a 10% de redução. Eram 5.945 vagas e agora, são 5.356. Os dados são do Conselho Federal de Medicina (CFM), que aponta maior concentração do prejuízo nos setores de clínica geral (redução de 206 leitos), cirurgia geral (117), pediatria (104) e obstetrícia (96). Em todo o Estado, o déficit alcança a marca de três mil leitos. Pelo menos metade deles deveria estar na Baixada Cuiabana. Para a presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), Elza Queiroz, os números não são novidade. Os últimos leitos construídos foram os dos Hospitais Regionais, que têm pelo menos 10 anos. Na Baixada Cuiabana, abriu o Hospital Metropolitano, mas outras cinco unidades fecharam as portas. Eram particulares, mas também atendiam o SUS (Sistema Único de Saúde). A situação mais crítica, conforme o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Arlan Azevedo, é enfrentada pelas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), em especial as voltadas ao atendimento pediátrico. Apenas três são equipadas de forma adequada e pertencem ao Pronto-Socorro de Várzea Grande, cidade onde os médicos estão em greve há mais de três meses, reivindicando melhores condições de trabalho. Para Azevedo, o problema é resultado de falta de planejamento. Não existe hoje um parâmetro de quantos leitos serão necessários daqui a cinco anos, aponta. Entre os pacientes mais prejudicados estão as gestantes e os que passam por algum tipo de cirurgia. Cidades-pólo como Alta Floresta, Colíder, Várzea Grande, não têm maternidade. Também faltam leitos de retaguarda para atender as pessoas que passaram por um procedimento de alta complexidade e precisam ficar sob observação, diz o vice-presidente. A presidente do Sindimed lembra que em 2009 a Assembleia Legislativa instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que já apontava uma deficiência de dois mil eleitos. Dois anos depois, o Sindimed denunciou o déficit com o movimento que recebeu o nome Gente não é lixo, tirem os pacientes do chão. À época, foi apresentado um dossiê ao governo do Estado que apontava a necessidade de construção de um novo pronto-socorro na Capital com mil novos leitos, reivindicação que não foi atendida até agora. Por meio da assessoria, a Secretaria Estadual de Saúde (SES), afirmou que a redução é relativa, já o governo vem trabalhando na reestruturação do SUS. Entre as medidas citadas pela pasta está a autorização do Ministério da Saúde para a implantação de 18 Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e a construção de novos hospitais como o de Transplantes e o Central, na Capital, e o Regional de Água Boa. Medidas, no entanto, que ainda estão em fase de projeto. Citou ainda a regionalização de unidades em Alta Floresta e Sinop. Hospitais que já existiam e foram assumidos pelo Estado com a promessa de ampliação, além da criação de novos leitos no Pronto-Socorro de Cuiabá e em unidades particulares.