CIDADES
Sábado, 26 de Julho de 2008, 14h:03
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NAS RUAS
Número de animais é preocupante
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Cuiabá registra um preocupante número de animais domésticos soltos nas ruas. De janeiro a junho deste ano, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) capturou 230 animais, entre cães, gatos, bovinos e eqüinos, em situação de abandono na cidade. Um total de 96 animais foi removido das ruas por agressão. Estas ações, no entanto, são realizadas a partir de denúncias da população e, embora a incidência de cães perambulando pelas vias públicas seja grande, não é possível quantificá-la. Não temos como quantificar ou vacinar um animal solto na rua e que teoricamente não tem dono, disse a coordenadora do CCZ, Caroline Sena. Com uma população estimada em 520 mil habitantes (de acordo com a Contagem Populacional 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a capital apresenta a proporção de um animal para cada 6,4 habitantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o ideal é um cão para cada 10 pessoas. Estima-se que a cidade conta com uma população canina de 81.429, além de 16.286 felinos. Estima-se que cerca de 70% das pessoas vítimas de agressões por cães são atacadas por animais que têm donos. Em junho passado, uma empregada doméstica de 43 anos sofreu uma parada cardíaca após se assustar com um rotweiller solto em uma das ruas do bairro Araés. Ela chegou a ser levada para o Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, mas não resistiu. Uma equipe do CCZ esteve no local e encontrou o animal preso. O dono assinou um termo de compromisso em que é alertado sobre a proibição de deixar animal solto em via pública, afirmou Caroline Sena. Segundo ela, a maioria das agressões também não é notificada. A Lei Municipal 3.666/1997 também proíbe o passeio de cães nas vias públicas, exceto com o uso adequado de coleira e focinheira. Em caso de agressão, o CCZ faz a avaliação do animal agressor, que pode ser feita na sede do órgão ou domiciliar. Este ano, já foram realizadas 28 observações domiciliares e 30 no próprio CCZ devido a suspeitas de raiva ou por agressões às pessoas. O problema é mais sério em bairros da periferia da cidade. No Pedregal, é grande a reclamação dos moradores. Tem muitos cães nas ruas. Mas isso, é falta de conscientização do dono, lamentou a dona de casa Balduína Bondespacho da Silva, 49 anos. Próximo da minha casa tem um pit bull que direto escapa. Minhas filhas precisam mudar o caminho para não serem atacadas, comenta. Já o contador Manoel de Campos Souza, 25 anos, lembra dos riscos em se ter um animal solto. Podem atacar uma criança e transmitir doenças. O pior é que a gente sabe que estes cachorros têm donos, comentou. No bairro São Roque, a comerciante Nicéia Ferreira, 37 anos, diz que na sua rua já houve até confusão por causa dos cães soltos. Os bichos avançam em crianças e motoqueiros, que ficam nervosos. Conforme Caroline Sena, os animais capturados vão para o CCZ e recebem todos os cuidados necessários. Lá os animais ficam três dias à espera dos donos. Depois disso, são colocados para a adoção. Caso contrário, são eutanasiados. A maioria a gente consegue doar, observa. Para obter mais informações sobre o serviço é só entrar em contato com o CCZ pelo telefone (65) 3617-1680.