Não haverá desapropriação para obras da Miguel Sutil
JARDEL PATRÍCIO ARRUDA
Da Reportagem
Os proprietários de terrenos na Avenida Miguel Sutil que serão desapropriados para as obras de mobilidade urbana visando à Copa de 2014 não receberão indenizações pelos lotes, mas somente pelas benfeitorias. O motivo, segundo informa o secretário-adjunto de Desapropriações, Djalma Sabo Mendes, é que não existem desapropriações nessa área, e sim um processo de reintegração de posse. O motivo para isso é que a avenida em questão é uma passagem urbana de uma rodovia federal, no caso as BRs 163 e 364, e, portanto, possui uma área de vinte metros de domínio público em cada lado. Não existe desapropriação porque essa área é pública. É como se tivessem invadido uma área governamental Então o que existe é uma reintegração de posse, pontua o secretário. Dessa forma, seria contra as diretrizes do Tribunal de Contas do Estado a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) indenizar algum proprietário da região, avalia Sabo Mendes. Até mesmo a indenização das benfeitorias investimento estrutural no local seria ilegal. A forma encontrada para driblar esse inconveniente legal e compensar os proprietários é a realização de depósitos em juízo. Se realizarmos o pagamento direto aos proprietários, o TCE dirá que estamos negociando área pública. Conforme explica Sabo Mendes, os valores dessas indenizações variam de acordo com a estrutura afetada em cada terreno. Em alguns casos, as obras atingirão apenas um trecho ínfimo, o que ocasiona o pagamento de valores pequenos, como é o caso de uma pessoa que receberá R$ 138. O secretario também rebate as acusações de falta de informação sobre as desapropriações. Ele afirma que já explicou essa situação a pelo menos 90% dos proprietários dos terrenos. Só não conversamos com todos por algum problema de agenda ou dificuldade de localizar o dono da área, afirma. TRANSTORNOS - Quanto a possíveis dificuldades enfrentadas pelos comerciantes da região durante o período da obra, o secretário foi enfático: Não há como realizar uma obra dessa magnitude sem gerar alguns transtornos. Eles existirão e não podemos pagar por tudo. Por enquanto, nem todos os depósitos em juízo foram feitos pelo governo e as ordens de serviço já foram emitidas. A justificativa para essa medida é que as três empresas vencedoras das licitações são de fora do Estado e precisarão de tempo para montar o canteiro de obras e realizar a contratação do pessoal. Com isso, a Secopa terá tempo para regularizar a situação de todos.