CIDADES
Sábado, 17 de Março de 2007, 14h:04
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Município está entre os 6% em que se mata mais
Um terço dos municípios brasileiros não registrou um homicídio sequer entre 2002 e 2004. Em outro terço, os casos se limitaram a um máximo de dois. Apenas 6%, contudo, ostentaram mais de 10 assassinatos. Neste grupo está Colniza. Para o sociólogo Jacobo Waiselfisz, responsável pela produção do Mapa da Violência nos Municípios Brasileiros divulgado pela OEI, apenas esta comparação basta para comprovar a gravidade da situação vivida no município naquele período. Não adianta brigar com os números. Independentemente de indicadores populacionais, o fato é que Colniza vem apresentando número de homicídios que a colocam entre os 6% de municípios mais violentos do país. Essa é a questão que precisa ser enfrentada, apontou, por telefone, ao Diário. O pesquisador defendeu a metodologia empregada na produção do mapa. Em especial, sua opção pelos indicadores do Ministério da Saúde, em vez das estatísticas das secretarias de Segurança Pública que apresentam números distintos. Há uma enorme sub-notificação nos boletins de ocorrência. E muitas vezes, estas informações não estão consolidadas por município. Eu não teria como percorrer cada delegacia em busca destas informações. Preferi os dados do Ministério da Saúde, que são oficiais. Sobre as alegações da Secretaria de Segurança de Mato Grosso, de que havido em 2004 um número menor de homicídios do que o considerado no mapa, o sociólogo foi incisivo. Acho que são 18, a Secretaria diz que são 12. De qualquer forma, é um número altíssimo para uma cidade pequena. Quanto à população utilizada como fator de cálculo, 14,4 mil habitantes, Waiselfisz diz ter empregado a estimativa mais recente encaminhada pelo IBGE ao Tribunal de Contas da União da qual depende a fatia de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Dizem que Colniza teve muita migração. Isso é um fato. Outro fato é há exemplo de muitos outros municípios que, apesar da grande migração, não apresentam os mesmos números de violência. Quem está com a razão?. Responsável pela produção de outros sete mapas temáticos sobre a violência no Brasil, o sociólogo se diz habituado a contestações deste tipo. Mas diz esperar que os resultados sirvam como um alerta. Quem fica em primeiro na lista sempre procura se esquivar da realidade. Ou contestar a metodologia. Mas eu pergunto: quantas mortes ainda precisam ocorrer para que a situação seja considerada grave? Para mim, uma só basta. Em Colniza, são 20 por ano. (RV)