CIDADES
Sábado, 09 de Setembro de 2006, 14h:37
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INFRAÇÕES
Multas de trânsito crescem 42% em Cuiabá
A média mensal já chegou a 6.430 notificações. Se mantida a projeção até o final do ano, total pode chegar a 77 mil, o equivalente a uma para cada 2,4 veículos
ALECY ALVES
Da Reportagem
O número de multas aplicadas no trânsito de Cuiabá este ano teve um aumento de 42% em relação a 2005. A média mensal, que no ano passado era de 4.506, saltou para 6.430 agora. E este aumento se deu sem que fosse concretizada a expectativa de instalação das lombadas eletrônicas, prevista para breve. Se mantiver o ritmo de crescimento, Cuiabá poderá fechar o ano com mais de 77 mil multas aplicadas, o que representaria uma para cada 2,4 carros que circulam na cidade, levando-se em consideração a frota de 187.726 veículos. Os dois principais órgãos de fiscalização do trânsito na área urbana - a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (SMTU) e o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) - juntos aplicaram 99.087 multas em 19 meses entre janeiro de 2005 e julho de 2006. Agosto ainda não foi computado. Os agentes de trânsito da SMTU emitiram 45.981 autos de infração nas ruas de Cuiabá em todo o ano passado. E em 2006, já aplicaram 37.236. Já os policiais militares do Batalhão de Trânsito repreenderam com multas 8.093 motoristas em 2005 e 7.777 nos primeiros sete meses deste ano. Esses índices foram levantados nos registros oficiais das duas instituições públicas. Os motivos das multas são variados, mas alguns lideram os registros das autoridades do setor. Nos talões dos agentes municipais de trânsito, os chamados amarelinhos, por exemplo, as três infrações que aparecem no topo das estatísticas são a falta do cinto de segurança do condutor ou passageiro, o desrespeito ao sinal vermelho e o uso do celular ao volante. Já os arquivos do Batalhão de Trânsito apontam na liderança infrações geradas por outras razões. A falta de registro e licença do veículo, motorista sem documentos de porte obrigatório (como identidade e CPF), a utilização de fones de ouvido conectados a aparelhos de som e telefone celular e a direção sem carteira de habilitação (CNH). Nesse universo de tantas infrações, o que não faltam são motoristas indignados com o número e as circunstâncias em que foram multados nas ruas de Cuiabá. No caso do transporte coletivo, a indignação não se restringe a um ou outro profissional, mas a categoria. De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, João Batista de Sousa, diariamente uma média de oito motoristas de ônibus procuram a entidade na tentativa de recorrer das multas de trânsito. Sousa acha que os amarelinhos multam os motoristas propositalmente. As situações mais comuns expostas pelos que procuram o Sindicato, relatou ele, fazem referência à travessia do semáforo na mudança do sinal de alerta (o amarelo) para o vermelho. Os motoristas contam que para não frear e parar sobre a faixa, o ônibus atravessa o semáforo no sinal amarelo. Muitas vezes, ele segue no amarelo, mas no final já esta no vermelho. O amarelinho, que fica escondido em algum lugar próximo, aparece na hora para multá-los, reclamou. João Batista, que agora está afastado da função, diz que ele próprio já foi multado duas vezes quando dirigia ônibus nas ruas de Cuiabá. Mas segundo ele, menos de 10% dos recursos impetrados através da assessoria jurídica do Sindicato são considerados procedentes e as infrações, anuladas. Já o motorista João Antônio Pereira dos Anjos e Silva, 45 anos, queixou-se da multa que sofreu por falar ao celular enquanto dirigia. Silva garantiu que, na tarde do dia em que foi multado, não passou de carro pela avenida Rubens de Mendonça (do CPA), via que aparece no auto de infração. Mas como perdeu o prazo para recurso, ele admite que agora nem adianta reclamar.