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CIDADES
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008, 21h:32

FEBRE AMARELA

MT tem 1° caso silvestre

Homem de 65 anos, que morreu em Goiás, contraiu doença em Novo São Joaquim. Dois casos ainda são investigados

ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Confirmado o primeiro caso de febre amarela silvestre em Mato Grosso. O resultado dos exames do trabalhador rural de 65 anos, de Novo São Joaquim (a 485 quilômetros de Cuiabá), deu positivo para a doença. O Ministério da Saúde divulgou a informação no Boletim Epidemiológico de terça-feira. A vítima morreu no dia 3 de fevereiro, no município de Mineiros, em Goiás, após quase uma semana de tratamento. A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso anunciou ontem que a Vigilância Epidemiológica tomou todas as ações imediatas de prevenção à doença na região onde morava a vítima. Ainda estão em análise dois casos suspeitos em Mato Grosso: de uma índia de 15 anos, que morava em Juara, e outro de um morador do município de São José dos Quatro Marcos, de 42 anos. Nos dois, os pacientes morreram com sintomas similares ao da febre amarela. Os resultados dos exames estão previstas para os próximos dias. As ações imediatas de prevenção também foram realizadas nos municípios de residência das vítimas. O último caso confirmado de febre amarela silvestre no Estado aconteceu em 2006. O trabalhador rural de Novo São Joaquim morava em um assentamento do Incra, distante aproximadamente 40 quilômetros da área urbana. Ao apresentar os primeiros sintomas, a família o levou para uma unidade médica da cidade, no dia 29 de janeiro. A princípio, devido o quadro clínico do paciente, a equipe médica diagnosticou como dengue. Após alguns dias de tratamento, familiares pediram que ele fosse transferido para um hospital de Mineiros, município localizado próximo a Novo São Joaquim. Assim que os familiares avisaram a prefeitura de Novo São Joaquim da desconfiança sobre o possível quadro de febre amarela por parte da equipe médica, técnicos da Secretaria Municipal de Saúde e do Escritório Regional de Saúde de Barra do Garças iniciaram uma investigação sobre o trabalhador rural e visitaram o assentamento para fazer o bloqueio vacinal. Lá, relatou a diretora de Vigilância em Saúde da SES, Conceição Villa, os técnicos identificaram que o paciente nunca tinha sido imunizado contra a doença. “No assentamento, os técnicos encontraram outras pessoas que não tomaram vacina contra febre amarela. Todas foram imunizadas. Na visita, fizeram também investigação se houve mortes de macacos na região nos últimos dias. Porém, a população não relatou nenhum caso”, contou Conceição. O próximo passo será a visita de uma equipe da entomologia (que investiga a existência dos vetores – mosquitos) ao assentamento para verificar se há presença de transmissores da febre amarela silvestre e se eles estão contaminados com o vírus da doença. Os municípios da região de Novo São Joaquim devem receber com prioridade mais doses da vacina, devido o possível aumento da demanda após a notícia da confirmação. De acordo com a diretora, não há motivos para a população ficar assustada. Mato Grosso é uma região endêmica e, por isso, não há surpresas em casos de febre amarela silvestres serem notificados. Ontem, o Ministério da Saúde enviou mais 140 mil doses de vacinas para o Estado, que serão distribuídas prioritariamente para municípios de fronteira, de zona de mata e com maior demanda, como Cuiabá e Várzea Grande. Este ano, Mato Grosso recebeu um total de 400 mil doses de vacinas contra a doença. O mais recente caso considerado suspeito de febre amarela em Mato Grosso é de uma índia da etnia Mundukuru, moradora do município de Juara. A moça ficou em tratamento em Sinop, onde morreu com sintomas semelhantes ao da doença em dezembro de 2007.

Edição edição 16957




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