CIDADES
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, 00h:00
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CLIMA EM TRANSFORMAÇÃO
MT é privilegiado quanto a mudanças
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Mato Grosso é um estado que pode se colocar numa posição confortável quando o assunto trata de mudanças climáticas. Embora neste ano o volume de chuva tenha ficado acima do normal em pleno período de seca, não há registros de grandes desastres naturais como furacões ou terremotos. No Estado, as ocorrências mais comuns são inundações em regiões como a do Pantanal e do Araguaia, e enchentes provocadas por cheias de rios como é o caso do Vermelho, em Rondonópolis. Porém, preocupado com as possíveis vulnerabilidades ou com a sua capacidade de enfrentamento e de redução dos impactos, o governo do Estado sedia, desde ontem, o seminário regional As mudanças climáticas na região Centro-Oeste do Brasil. No ato de abertura, o governador Blairo Maggi assinou a lei nº 9.111/2009, que institui o Fórum Mato-grossense de Mudanças Climáticas, formado por 27 membros de instituições governamentais, não-governamentais, sindicatos e universidades. O seminário termina hoje e reúne representantes da Defesa Civil Nacional, do próprio Estado, de Goiás e do Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. Nós precisamos entender e estudar as mudanças climáticas, saber se as defesas civis estão preparadas para os eventos climáticos e, se não estão, prepará-las e capacitá-las para efetivamente reduzir os danos, disse. Para Maggi, a ação do homem tem ajudado a provocar as mudanças, que estão cada vez mais agressivas. "O fórum terá papel importante. O governo do Estado tem se posicionado em fóruns nacionais e internacionais e o seu papel não só discutir o que nós já fizemos, mas, também propor novas ações que precisam ser feitas, disse. Muito além do desmatamento, Maggi aponta que o fórum tem outras questões importantes a serem discutidas para que sejam apresentadas sugestões de políticas públicas ao Estado. Ele citou, por exemplo, a questão das fontes de energias. Mato Grosso dispõe de uma quantidade de sol inimaginável, mas o seu uso é incipiente. O fórum pode propor estudos, programas de incentivo fiscal para esta área, para que os mato-grossenses tenham acesso a energia solar. Para o secretário de Estado de Meio Ambiente (Sema), Luiz Henrique Daldegan, o fórum é mais um componente social de legitimidade e transparência. É o local onde a sociedade vai discutir as mudanças climáticas, propor e acompanhar as políticas públicas de conscientização e ações para reduzir os seus efeitos, comentou. De acordo com o superintende da Defesa Civil de Mato Grosso, major Agnaldo Pereira, as chuvas que ocorreram no Estado durante a estiagem são reflexos da dinâmica climática que ocorrem em todo o Brasil e no mundo. Não surpreendeu. Existe um monitoramento climatológico e as chuvas estavam previstas, disse. Para novembro e dezembro a previsão é de aumento de volume das chuvas por causa do El Nino, acrescentou.