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Terça-feira, 10 de Maio de 2022, 16h:07

SAÚDE PÚBLICA

Mato Grosso não atinge a meta de tratamento da malária em 2 anos

A maior parte da transmissão da doença se dá em áreas de garimpo (70,2%). Região amazônica é o foco

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Reprodução
Segundo a Saúde Pública, 99,9% da transmissão da malária no país ocorrem na região amazônica

Dados do Ministério da Saúde apontam que Mato Grosso está entre os sete dos nove estados que compõem a região amazônica que, nos últimos dois anos, não atingiram a meta de atingir pelo menos 70% dos casos autóctones de malária.

Ou seja, contraídos na zona de residência do paciente, tratados de forma oportuna.

Em 2020, o percentual estadual ficou em 62,5% e, no ano seguinte, caiu para 52,1%, o que significa dizer que 47,9% não tiveram acesso oportuno ao diagnóstico e tratamento da doença.

Os outros seis estados são Tocantins (25%); Amapá (56,8%); Pará (59,7%); Amazonas (62,8%), Acre (56,4%) e Roraima (54,3%).

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Conforme o MS, o diagnóstico em tempo apropriado da malária é essencial para garantir o tratamento adequado do paciente, diminuindo assim a morbidade, a gravidade e a mortalidade, além de controlar a transmissão do agravo.

Contudo, ainda é um grande desafio para o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária (PNCM) e é determinante para o sucesso do controle e da eliminação da malária, que apesar de evitável e tratável continua a ter um impacto devastador na saúde e subsistência das pessoas.

Também no ano passado, o Estado não alcançou a meta proposta de eliminação da doença de 706 casos, tendo sido notificados 4.300, número que representa uma diferença de 509,1%, conforme o levantamento preliminar, portanto, passível de alteração.

Segundo o órgão federal, cerca de 99,9% da transmissão da malária no país ocorrem na região amazônica, com 33 municípios concentrando 80,0% do total de casos autóctones.

Apesar disso, surtos esporádicos ocorrem na região extra-amazônica e são de grande preocupação, pois podem resultar no aumento de casos em áreas de baixa transmissão ou na reintrodução da endemia em áreas livres de malária por décadas.

No país, de acordo com dados preliminares, no ano passado houve uma redução de 4,1% em relação ao ano de 2020, tendo sido registrados um total de 139.211 casos.

Do total de casos notificados em nível nacional, 99,0% (137.857) foram autóctones, ou seja, tiveram transmissão relatada dentro do Brasil.

Do total de casos autóctones, 17,0% (23.408) se deram por P. falciparum e malária mista e 83,0% (114.449) foram de malária por P. vivax e outras espécies parasitárias.

Ainda em Mato Grosso, a maior parte da transmissão da malária se deu em áreas de garimpo (70,2%), consideradas de grande importância epidemiológica para a doença e que registraram expressivo incremento no número de casos.

Segundo o órgão federal de Saúde, quando analisado esse aumento no ano de 2021, comparado a 2020, é possível identificar que no Estado o número de notificações (2.892) cresceu 66,7%.

Em Rondônia, cresceu 119,3% e em Roraima de 117,7%.

Já em toda a região amazônica, em 2021, foram registrados 1.742 surtos em 126 municípios diferentes, aproximadamente 10,6% a menos que no ano anterior, quando foram registrados cerca de 1.947 surtos em 120 cidades diferentes.

“Destaca-se que, nos estados Mato Grosso, Amazonas e Pará, aumentaram os registros de surtos em municípios de muito baixo risco, o que exige atenção e ações de repostas oportunas por parte da vigilância epidemiológica local”, informa o órgão federal de saúde.

No Estado, o destaque fica por conta de Brasnorte, Cuiabá, Juína, Matupá. “Também houve aumento no número de surtos em municípios de baixo risco nos estados do Acre, Amapá, Mato Grosso, Maranhão e Roraima”, alerta o Ministério da Saúde.

Em 2021, 12 cidades mato-grossenses registraram surtos da doença, sendo Aripuanã (27 casos), Colniza (17) e Pontes de Lacerda (32), consideradas como de médio risco para malária.

O MS reforça ainda que o diagnóstico e tratamento ofertados oportunamente e de qualidade, com as ações de controle vetorial, de mobilização social e educação em saúde, são estratégias para alcançar os objetivos de controlar, reduzir e

eliminar a malária do país. Para que as estratégias sejam efetivas, são distribuídos os insumos necessários para garantir o abastecimento de antimaláricos, testes de diagnóstico rápido (TDR) e inseticidas nos estados, municípios e áreas indígenas.

Outra estratégia consolidada pelo PNCM em parceria com as coordenações estaduais e municipais da região amazônica é o projeto “Apoiadores Municipais para Prevenção, Controle e Eliminação de Malária”, que iniciou no ano de 2012 a partir de um acordo de cooperação técnica entre o MS e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e que, neste ano de 2022, completa 10 anos de desenvolvimento.

A reportagem DIÁRIO tentou obter um posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde sobre o assunto, mas não obteve êxito.


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