Mais de mil pessoas esperam por um órgão para fazer transplante em Mato Grosso. São 750 na espera por rim (550 ativos), 280 por córnea e 20 por tecido ósteo (osso). Esse número demonstra apenas a realidade das cirurgias realizadas no Estado. Quem precisa de transplantes de outros órgãos entra na fila nacional e tem que passar pelos médicos da Central de Regulação Estadual, que fará o encaminhamento para a cirurgia via Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Em todo o Brasil, 240 pessoas esperam por um coração. A demanda por fígado é bem maior, chegando a 6.186. Para pâncreas, a espera é de 214 pessoas e transplante duplo de rim/pâncreas é de 387 pessoas. No ano passado foram realizados 75 transplantes em Mato Grosso - 29 de rim e 46 de córnea. O transplante do tecido ósteo é uma novidade em Mato Grosso, e terá início nesse mês, na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. O responsável pela Central de Regulação afirma que o não funcionamento das Comissões não tem causado problemas para os pacientes que aguardam por órgãos, porque o sistema da Central tem controle de 100% dos leitos que atendem o SUS em Mato Grosso. Na hora que o colega médico liga e pede o leito de UTI, eu já sei do o que está acontecendo e identifico quais são os casos em potencial para doação. Os mesmos médicos que trabalham comigo na minha equipe técnica dão plantão nas UTIs, automaticamente essa notificação aumenta. Então não é que a Central de Transplantes faz o trabalho isoladamente. Nós conseguimos fazer o envolvimento desse grupo médico também com transplantes, coisa que não acontecia antes, afirmou Vander Fernandes. A coordenadora da Central de Transplantes de Mato Grosso, Vera Lúcia Sena, explica que mesmo se aumentasse muito o número de doações, dificilmente a filas acabariam rapidamente. A demanda de pessoas à espera de um órgão é muito maior do que o volume de doações. Ainda existe a questão da compatibilidade e de identificar quais órgãos podem ser doados. É uma fila lenta, concluiu Vera Sena. (AC)