CIDADES
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008, 21h:21
A
A
TERRA NOVA DO NORTE
Mãe diz que bebê nasceu morto
ROSANI TRINDADE
Da Reportagem/Sinop
A mãe acusada de causar a morte do filho recém-nascido ao trancá-lo em um guarda-roupa, disse ontem, em depoimento à Polícia Civil de Terra Nova do Norte, que a criança já estava morta ao nascer. De acordo com o delegado que preside o caso, Ferdinando Scremim, Patrícia Toniazzo, 21, nega que tenha presenciado a criança chorar ou visto sinais vitais no menino. Ela disse que após o nascimento, embrulhou o bebê em uma toalha e em lençol. Depois guardou o corpo no guarda-roupa, pensando que ele estava morto, explicou. Mas segundo o delegado é preciso aprofundar as investigações. Temos o depoimento de duas pessoas que relatam ter ouvido a criança chorar. Um vizinho que disse ter escutado um choro agudo, típico de recém-nascido. A mãe deste rapaz também diz ter escutado o choro do menino. A acusada relata o contrário e insiste que ele nasceu morto. Ela alega que sentiu as primeiras contrações no dia 14, quando a bolsa estourou, e que a criança só veio nascer no sábado. As investigações seguem a linha de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Se for condenada por estas penas, Patrícia poderá pegar mais de 30 anos de prisão. Scremim afirma ainda que o rumo das investigações depende do resultado de um exame que está sendo feito pela perícia técnica, que atestará a causa da morte do bebê. Se a criança respirou ao menos uma vez após nascer, já se configura homicídio. Caso o bebê tenha nascido morto, o caso é de aborto, mas mesmo assim o inquérito policial prosseguiria, já que a criança foi enterrada sem a devida comunicação às autoridades. Segundo o investigador de Polícia Civil de Terra Nova, Araí Carlos Barbosa, a investigação começou após uma denúncia anônima, feita por meio de um telefonema à promotora de justiça Ellen Ullian Kuriki, dizendo que o pai da moça teria enterrado o recém nascido. Uma jovem teria dado entrada em um hospital da cidade depois de ter sofrido um aborto no sábado (16). A polícia investigou a informação e chegou até a família Toniazzo. O bebê foi encontrado enterrado no cemitério da cidade, no fim da tarde de terça. Em depoimento à polícia, o pai da jovem confessou que enterrou o bebê, por volta da meia-noite, de segunda-feira (18). Ele afirmou que uma de suas filhas teria achado o recém-nascido dentro de um guarda-roupa. A jovem escondeu a gravidez da família e não informou quem seria o pai. A perícia técnica do município informou que o bebê nasceu com aproximadamente 38 semanas, com 3,5 quilos e 48 centímetros. O laudo da autópsia feita no corpo do recém-nascido, é que vai identificar a causa da morte. Patrícia ficará presa temporariamente por 30 dias, prorrogáveis por mais um mês.