CIDADES
Terça-feira, 02 de Março de 2004, 20h:30
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INVESTIGAÇÕES
Justiça quebra sigilo da Amper
Empresa, cujo dono é irmão do ex-governador Dante de Oliveira, teve João Arcanjo Ribeiro como avalista
CARLOS MARTINS
Da Reportagem
Atendendo a requerimento da Polícia Federal, o juiz Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal da empresa Amper Construções Elétricas Ltda dos últimos seis anos. A Amper, segundo a Justiça Federal, teria sido usada pelo esquema comandado por Arcanjo para introduzir fraudulentamente no país recursos financeiros obtidos no Uruguai por meio de empréstimos simulados no BankBoston e no Deutsche Bank. Seriam indícios de prática de crime contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro. Em dezembro, por ocasião do anúncio da sentença a Arcanjo e mais seis acusados de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, Julier determinou à PF a abertura de vários inquéritos envolvendo pessoas e empresas por manterem vínculos com a organização comandada por Arcanjo. Um destes refere-se à Amper, já concluído e enviado à Justiça com o requerimento. Os inquéritos são conduzidos pelo delegado federal Marcelo Rezende. De acordo com a decisão assinada no dia 26 de fevereiro, a quebra de sigilo bancário e fiscal é imprescindível para a elucidação de eventuais condutas delitivas praticadas pela Amper e pela organização comandada por Arcanjo. A análise das movimentações financeiras internacionais da implicada [Amper] é peça de fundamental importância para a consecução das investigações policiais, e posteriormente, judiciais, mormente porque esclarece e propicia a apuração dos fatos e a indicação daqueles acaso responsáveis pelos mesmos, fundamentou Julier em seu despacho. A pista que apontava o suposto envolvimento do comendador com a Amper foi encontrada na forma de documentos localizados em abril do ano passado na casa que Arcanjo ocupava em Montevidéu até ser preso no dia 11 daquele mês. De acordo com os papéis, Arcanjo foi o avalista da Amper, empresa pertencente a Armando de Oliveira, irmão do ex-governador Dante de Oliveira, em um empréstimo de US$ 2,2 milhões feito na agência do BankBoston no Uruguai. Um documento referia-se a um contrato de pagamento assinado na sede do BankBoston, no qual a Amper se compromete a fazer quatro pagamentos mensais ao banco, entre 18 de setembro e 18 de dezembro de 1998. Os três primeiros no valor de US$ 347 mil e o último de US$ 1.159.000. No contrato, ao lado da assinatura de Oliveira aparece a de João Arcanjo Ribeiro, como o avalista. Conforme a Polícia Federal investigou, Arcanjo contraía empréstimos fantasmas no BankBoston para uma de suas financeiras, a Confiança Factoring. As operações eram sempre avalizadas e honradas quase que simultaneamente pela offshore Aveyron, uma empresa cujo diretor-presidente era o próprio Arcanjo. Em outro documento, emitido pelo Banco Central, constava o registro de uma operação entre a Amper e o Deutsche Bank de Montevidéu no valor de US$ 1 milhão. Nessa operação Arcanjo não apareceu como avalista, mas sua empresa, a Aveyron, entrou como agente, o que garantiu a Arcanjo uma comissão de US$ 30 mil. Conforme se apurou ainda, vários pagamentos foram feitos via Estados Unidos da Amper para a Aveyron, o que indicaria que o dinheiro emprestado não pertencia à instituição financeira concedente, ou seja, era apenas uma simulação.