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CIDADES
Segunda-feira, 01 de Março de 2010, 21h:51

OPERAÇÃO MARANELLO

Justiça devolve 10 veículos de luxo

Decisão determinou que dono dos carros, Alexandre Zangarini, acusado de financiar quadrilha de tráfico de drogas em MT, seja fiel depositário

ALECY ALVES
Da Reportagem
Todos os carros e motos de luxo, num total de 10 veículos, incluindo uma Ferrari avaliada em mais de R$ 1 milhão, já retornaram ao poder da família Zangarini. Os veículos estavam custodiados pelo Estado a mando da Justiça, depois apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Maranello, deflagrada para desbaratar uma quadrilha de narcotraficantes de Mato Grosso. Em decisão da juíza Vanessa Curti Gasques, da 3ª Vara da Justiça Federal, Alexandre Zangarini, apontado como “braço financeiro” da organização de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, torna-se fiel depositário dos bens, como já havia adiantado o Diário. Ontem de manhã, o próprio Zangarini, acompanhado da mulher e da filha, Regina e Michelli Zangarini, respectivamente, esteve no pátio do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen) para retirar os veículos. O primeiro carro a deixar o pátio foi o Porsche, dirigido por Michelle. Logo atrás saiu Alexandre Zangarini sob a direção de uma Hilux SW4. Faltou motorista para tantos carros, ao ponto de a filha de Zangarini, Michelli, pedir ajuda de um amigo mecânico que estava dando assistência no local. Uma motocicleta Harley Davidson está entre os veículos. Parados há cinco meses, desde setembro de 2009, época da operação da PF, os veículos precisaram de assistência técnica para voltar a circular. A Ferrari de cor branca só funcionou depois da recarga de bateria feita por mecânicos de uma auto-elétrica. O mesmo aconteceu com outros carros, entre os quais o também luxuoso Corvette amarelo ouro, fabricado pela Chevrolet. Informações dão conta que durante os cinco meses em que os carros estiveram apreendidos, Zangarini visitava com frequência o pátio do Conen. Além de proteger a Ferrari e o Corvette com um tecido especial, sempre que ia lá pedia para testar o motor dos carros por alguns instantes, o que não era permitido. Todos os membros da família Zangarini evitaram falar com a imprensa, mas nem todos conseguiram se esconder das lentes das câmeras fotográficas e filmadoras que os pegaram de surpresa no pátio do Conselho de Entorpecentes. Alexandre Zangarini foi o único que se manteve oculto, permanecendo por mais de 1 hora dentro da Hilux, enquanto aguardava o carro voltar a funcionar. O advogado de Alexandre Zangarini, Huendel Rolim Wender, autor do recurso de liberação dos carros, disse que não poderia comentar a decisão porque o processo corre em segredo de justiça. Os automóveis não podem ser usados e nem alienados até o término da investigação. Como resultado da Operação Maranello, 35 pessoas foram denunciadas sob acusação de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Alexandre Zangarini chegou a ser preso, mas ele, assim como outros acusados respondem pelo crime em liberdade. Cinco acusados estão foragidos, incluindo o advogado Edézio Ribeiro Neto, o “Binho”, apontado pela Polícia Federal como chefe do esquema criminoso. Onze dos acusados nem chegaram a ser presos, e somente quatro permanecem atrás das grades.

Edição edição 16957




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