CIDADES
Quinta-feira, 17 de Maio de 2007, 21h:12
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CASO LEOPOLDINO
Josino vai a júri
Empresário teve negado recurso apresentado ao TRF, que
determinou o julgamento sob acusação de planejar o crime
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou por unanimidade recurso contra a decisão da Justiça Federal que determina que empresário Josino Guimarães vá a júri popular pelo assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, ocorrido em 1999. A decisão foi tomada pela 4ª Turma do Tribunal no dia 15 de maio, mas ainda não foi publicada. Até ontem, o procurador-chefe do Ministério Público Federal em Mato Grosso, Gustavo Nogami, a quem coube contestar o recurso, não a havia recebido oficialmente. Em 2005, o juiz federal Jefferson Schneider, da 2ª Vara, reconheceu indícios suficientes para qualificar Josino como o mentor do homicídio em especial, os depoimentos da ex-escrevente Beatriz Árias, julgada e condenada pelo mesmo crime. Entre os indícios, consta a informação de que Leopoldino teria se queixado das ameaças de morte feitas pelo empresário. O motivo seriam as denúncias que o juiz vinha fazendo à imprensa, segundo as quais Josino atuaria como um corretor de sentenças do Tribunal de Justiça. Também consta dos autos a menção a uma conversa entre Josino e o então sargento PM José Jesus de Freitas - assassinado em 2001 em uma emboscada , em que ambos teriam discutido a possibilidade de execução de Leopoldino. Schneider aceitou apenas parcialmente a denúncia contra o empresário e o enquadrou no artigo 29 do Código Penal. O MPF não conseguiu incluir uma qualificadora prevista no artigo IV, inciso 2º, que trata de crime cometido à traição, emboscada ou mediante dissimulação ou qualquer recurso que impossibilite a defesa. A reportagem do não conseguiu contato com os advogados de Josino. À ocasião da primeira sentença, em entrevista ao Diário, seus defensores apontaram não haver provas das afirmações. Reclamaram ainda que as alegações da defesa não haviam sido sequer consideradas. Segundo a defesa, nunca houve conversa com o sargento Jesus. Sobre Beatriz Árias, apontam que ela e o empresário não se conheciam. Perguntamos se Josino é branco ou negro e ela respondeu que achava que ele é negro, mostrando que realmente não o conhecia, lembrou à época um advogado. PARAGUAI Leopoldino Marques do Amaral era o titular da 10ª Vara de Família. Acusado pelo desvio de valores das contas bancárias vinculadas aos processos que tramitavam em sua vara, ele levou adiante uma série de denúncias contra integrantes do judiciário mato-grossense. Chegou a depor na CPI do Judiciário, em Brasília, onde reafirmou a prática da venda de sentenças. Seu corpo foi encontrado carbonizado e com perfurações de balas na fronteira do Brasil com o Paraguai no dia 7 de setembro de 1999.