CIDADES
Segunda-feira, 12 de Março de 2007, 20h:30
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RALLY
Homicídio culposo
A competidora Iara Nunes, que atropelou e matou uma menina de 11 anos no domingo, responderá por morte não intencional
KEKA WERNECK
Da Reportagem
O delegado Hamilton César Vieira de Camargo abriu ontem inquérito para apurar a morte da menina Emanuely Shaid Canalle, de 11 anos. Ela foi atropelada durante o rally amador Costelão Off-road, realizado na chácara Santo Antônio, na comunidade rural do Sucuri domingo, e morreu minutos depois, às 15h40, no hospital Jardim Cuiabá, para onde foi levada, às pressas, com poli traumatismo. A corredora Iara de Brito Nunes, de 39 anos, que perdeu o controle do veículo e atropelou a criança, conforme o delegado, vai responder por homicídio culposo, ou seja, sem intenção. Emanuely foi sepultada ontem à tarde no cemitério Santo Antônio, em Várzea Grande. A causa da morte foi traumatismo craniano. As investigações correm na Delegacia do Complexo do Verdão. A reportagem tentou ouvir o diretor técnico da prova, Haroldo Pires Martins. A mulher dele atendeu ao telefone, anotou o recado, mas não houve retorno. Na hora do acidente, o carro, guiado por Iara, desgovernou. Ela perdeu o controle do veículo, que bateu em diversas árvores até colidir com a mesa, onde estavam os organizadores responsáveis por marcar o tempo dos corredores e a menina. O delegado conta que esses conseguiram correr e escapar da colisão, a pequena vítima não. Os pais dela estavam no evento. Conforme o boletim de ocorrência, a mãe dela, Marcilei Verônica Scheid, é corredora de rally e ia competir na mesma prova que Iara. Tratava-se de um torneio em homenagem ao dia das mulheres, lembrado em 8 de março. Em depoimento ao delegado Hamilton, Iara contou que, após o rodopiar do carro e os flashes que viu de cadeiras voando, quando desceu do carro viu que os pais da menina já a estavam socorrendo e nisso sentiu-se mal, tendo que ser medicada. A acusada disse também que há três anos pilota, que aquela era uma confraternização, que ali havia vários conhecidos e amigos, que não teve intenção em causar tamanha tragédia e que não ingeriu bebida alcoólica. O veículo que Iara dirigia é um jeep da Troler/RF Sport, branco, ano 2000, que, conforme a polícia, está em nome de outra pessoa. O nome que consta no boletim de ocorrência como testemunha do acidente é de Genuir Canoffi, também corredor de rally. Perguntado se viu o acidente e o que vai contar para a polícia, ele resume que vai dizer a verdade. Ao ser indagado sobre o que é a verdade neste caso, ele pediu para ligar mais tarde. Mas depois manteve o celular desligado. Peritos que avaliaram o local do crime já estão elaborando um laudo previsto para ficar pronto em 30 dias. O delegado diz que, neste meio tempo, vai chamar as pessoas que estavam na chácara para depor. Um acidente é um acidente, não é crime, mas alguém aqui pode ter agido com imprudência, negligência e imperícia, é isso que vou apurar, explica.