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CIDADES
Sexta-feira, 19 de Março de 2010, 20h:54

SAÚDE BUCAL

Greve é de 100% na odontologia pública

Dentistas de Cuiabá deixam de atender também emergência para forçar município a sentar para negociar. Prefeitura fala em ação judicial contra medida

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
A greve dos dentistas no atendimento à rede de saúde municipal de Cuiabá agora é de 100%, parando até mesmo a urgência e a emergência. É o que divulgou ontem o Sindicato dos Odontologistas (Sinodonto), conforme decisão tomada em assembleia da categoria realizada na quinta-feira à noite, devido à falta de negociação salarial com a prefeitura. Mais de 70 mil procedimentos já deixaram de ser realizados desde o início da greve, em janeiro, e outros 1,8 mil também deixarão de ser feitos diariamente agora. A radicalização já havia sido ameaçada no início da semana, quando os trabalhadores deram pela falta de uma nova proposta salarial que a administração municipal se comprometera a apresentar. A Saúde municipal (SMS) advertiu que o movimento encontraria barreiras legais. Embora fale em paralisação integral, o presidente do Sinodonto, Gustavo Oliveira, explicou que, a partir de agora, apenas um serviço continuará em atividade, o do setor de traumas do Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC), no qual atuam oito cirurgiões-dentistas. Já em toda a rede municipal são 270 profissionais que reivindicam aumento salarial de R$ 847,20 para R$ 1.100, mas, segundo Oliveira, esbarram na inércia da prefeitura em negociar e apresentar propostas plausíveis, afirmando sempre falta de recursos disponíveis. “Ou eles estão achando que odontologia não é prioridade de governo ou estão usando o dinheiro para pagar o show do Latino, na inauguração da avenida das Torres”, provoca Oliveira. Ele admite que a paralisação da urgência e emergência, por dar ensejo à ação no âmbito judicial por parte da prefeitura, é uma oportunidade para, finalmente, forçar a administração a se sentar à mesa de negociação. Para tanto, o Ministério Público também foi procurado, mas o promotor Alexandre Guedes ainda não afirma se vai propor qualquer ação a respeito. LEGISLAÇÃO – Sobre a radicalização da greve dos dentistas, o secretário municipal de Saúde, Maurélio Ribeiro, informou que a Procuradoria-Geral do município já foi acionada para verificar se há possibilidade de intervir judicialmente na situação, uma vez que greves de profissionais da saúde têm de respeitar a manutenção de um efetivo mínimo de 30% dos profissionais atendendo normalmente. “Quem mexe com saúde não tem o direito de simplesmente dar as costas para a população por conta de campanha salarial”, afirmou.

Edição EDIÇÃO 16959




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