Pior que a suspeita de um megaesquema de facilitação de fuga na Penitenciária Central do Estado, é o descontrole existente na checagem de presos. O caso do preso federal Valdete Vieria da Silva, o Fogoió, é um exemplo. Preso em setembro, acabou sendo liberado em dezembro de forma irregular. Ele negou ter pago para escapar pela porta da frente. Segundo policiais federais, Valdete deveria estar preso na Penitenciária Central, pois obteve alvará de soltura em outro processo no qual respondia preso, mas por causa da preventiva decretada pelo roubo do avião, deveria continuar preso. Em 20 de dezembro, no entanto, possivelmente por falha do sistema prisional, ele saiu pela porta da frente da penitenciária. Na última terça-feira, no entanto, ele se apresentou na 5ª Vara Federal para a audiência, pois ele sabia que, se fossem procurá-lo nas celas do presídio, não o encontrariam e a revogação de sua prisão ficaria comprometida. Ele foi orientado a se apresentar no horário da audiência. Segundo a PF, a quadrilha deveria roubar um avião para negociar com traficantes bolivianos, mas o Sêneca não serviu para os traficantes porque é pequeno e não carrega muito peso. Roubaram o avião errado, lembrou um agente federal. Entre o final de outubro e início de dezembro, no entanto, 11 presos, sendo três de alta periculosidade, fugiram pela porta da frente. Um agente prisional disse que o esquema rendeu cerca de R$ 500 mil. Um agente teria ficado com R$ 80 mil. (AR)