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CIDADES
Terça-feira, 02 de Outubro de 2007, 11h:21

DESARMONIA

Família em pé de guerra

Primos que viveram a infância como irmãos em Cuiabá travam, há 20 anos, trajetória de morte e vingança

ALECY ALVES
Da Reportagem
O assassinato do mecânico Manoel Garcia Duarte, 55 anos, ocorrido semana passada durante um velório na Capela Jardins, reacendeu o ódio e o desejo de vingança compartilhado ao longo de mais de duas décadas por membros de uma mesma família cuiabana. De um lado, os seis irmãos de Josaneo Alencar Duarte, assassinado pelo próprio primo Eluísio Duarte há cerca de duas décadas. Do outro, os 11 irmãos de Eluísio, um ex-cabo da Polícia Militar que, por causa de uma briga de bar, matou Josaneo. Um destes irmãos era Manoel Duarte, morto dentro do velório. Josaneo e Eluísio eram primos em primeiro grau por parte de pai – filhos dos irmãos José Getúlio Duarte e Bartolomeu Garcia Duarte. Até a adolescência, os filhos viveram praticamente como irmãos, morando vizinhos um do outro no bairro Poção. “Fomos criados juntos. Eluísio e Josaneo eram grandes amigos”, conta Isabel Duarte, irmã de Eluísio e Manoel. “Nos separamos depois da morte do Josaneo, por decisão da família dele”. Pelo assassinato de Josaneo, Eluísio passou quase 18 anos preso e foi expulso da Polícia Militar, segundo a irmã. Revoltada com a morte do de Manoel, Isabel diz: “Eluísio se arrependeu muito do que fez e pagou pelo crime. Tinha 26 anos quando foi preso e saiu da cadeia velho, com os cabelos brancos”. A versão dada pelos irmãos de Josaneo - Weliston, Norberto e Orlando Duarte - para a morte de Manoel foi a de que o confundiram com Eluísio. A família da vítima repudia a versão. “Mataram ele porque são covardes e sabiam que atingindo uma pessoa inocente, doente, que nem os conhecia, fariam todos sofrerem muito mais”, desabafa o filho de Manoel, que prefere não informar o nome. Inconformada, a mulher de Manoel, dona Anaci Zazomazoré Duarte, lamenta pela interrupção trágica de um casamento de 34 anos e dos sonhos que o casal ainda alimentava. Professora, Anaci diz que o sonho do marido era vê-la formada. Ela conclui a faculdade de Letras no final deste ano. “Meu marido era muito doente, caminhava com dificuldades e morreu sem saber por quem e nem por quê”, completa. Os irmãos Weliston, Norberto e Orlando Duarte se apresentaram à polícia quatro dias depois do crime, prestaram depoimento e saíram livres da delegacia. Vão responder pelo crime fora da cadeia. A liberdade deles deixou a família de Manoel indignada. E Isabel já se mobilizou. Foi até o Ministério Público reclamar para a Coordenadoria das Promotorias Criminais, que nem inquérito havia sido instaurado. “Queremos justiça da lei dos homens. Ou essa terra é sem lei e vale o “olho por olho, dente por dente?”.

Edição EDIÇÃO 16958




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