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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Agosto de 2022

CIDADES
Sábado, 06 de Agosto de 2022, 12h:24

CAMINHO INVERSO

Ex-chaveiro deixa a vida corrida da cidade e vira produtor rural

O “Leo Chaveiro”, agora “Leo do Quiabo”, mudou-se para o sítio com a mulher, Marareth Rodrigues

ALECY ALVES
Da Reportagem
Divulgação
Leonel e Margô exibem com orgulho o produto da horta que o casal mantém na localidade de Aguaçu

Até 10 anos, ele era o “Leo chaveiro”.

Agora, como “Leo do Quiabo”, o pequeno produtor Leonel Marques da Costa, 45, diz que tem a vida que pediu a Deus.

O sítio Três Irmãos, onde ele mora com a esposa Margareth Rodrigues e o filho caçula, de 13 anos, fica no distrito de Aguaçu, a 50 quilômetros do Centro de Cuiabá. 

A propriedade está a poucos metros do Coxipó Açu, um riacho de águas cristalinas.

Dessa moradia, o casal só sai para vender o que produz.

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Leonel e Margô, como ela é conhecida, podem ser vistos duas ou três vezes por semana em feiras, nas áreas de uso coletivo de órgãos públicos sediados no Centro Político Administrativo(CPA).

Os dois garantem que a lida no campo é dura. Trabalham bem mais do que na cidade.

Divulgação

Léo do Quiabo e Margô

O “Leo Chaveiro”, agora “Leo do Quiabo”, mudou-se para o sítio com a mulher, Marareth Rodrigues

O tempo todo é plantando, adubando, regando, colhendo...

Mas, no caso dele, nada se comparara à correria dos plantões noturnos, circulando sob duas rodas, de um lado ao outro, na cidade para, literalmente, abrir portas.

Leonel conta que, por 25 anos, trabalhou como chaveiro.

Nessas duas décadas e meia, perdeu as contas de quantas vezes caiu da motocicleta.

Até que ele e amada Margô decidiram assumir o sítio de dona Alzira Rodrigues, no Assentamento Mineira.

Dona Alzira, sogra de Leonel, teve um AVC fulminante.

Aos 59 anos, morreu quando vivia sozinha na propriedade.

“Minha sogra era uma guerreira. Sozinha, produzia mais que muitos homens trabalhando juntos”, recorda.

O casal conta que, com a morte de dona Alzira, o sítio ficou abandonado.

“Não era justo vê tudo o que ela fez se perdendo”, justifica a filha.

“Minha mãe tinha uma plantação de couve que ocupava mais de um hectare. Era lindo de se ver. Uma horta bem cuidada, um grande campo verde que a gente perdia de vista”, diz Margô, com orgulho.

E dona Alzira ainda cuidada da mãe, dona Leonor.

Com a morte dela, Leonor passou a ser cuidada pelas netas.

Leonel garante que a esposa herdou a força e a disposição da mãe.

“Essa aqui também é uma guerreira. Não tem tempo ruim para ela”, diz, apontando Margô.

Além de amor e alegria, na barraca que Margô e “Leo do Quiabo” administram nas feiras, os clientes compartilham uma infinidade de produtos vindos diretos da roça.

No sítio, eles produzem de quase tudo.

O quiabo, claro, está na lista.

Divulgação

Horta do Léo

A propriedade está a poucos metros do Coxipó Açu, um riacho de águas cristalinas. Dessa moradia, o casal só sai para vender o que produz

Na mesma lista do alface, couve, mostarda, cebolinha, coentro, salsa, batata doce, cenoura, abacaxi, jiló, abóbora, banana da terra, limão...

Muitas vezes, o casal ainda comercializa produtos de vizinhos que não têm carro para o transporte até as feiras.

Nesta semana, por exemplo, trouxeram o feijão de corda de uma vizinha.

Leonel conta que o apelido “Leo do Quiabo” foi uma consequência por ser um fornecedor do vegetal em restaurantes de Cuiabá.

Voltar a viver na cidade, nunca passou pela cabeça do casal.

Ao contrário, os dois pensam em comprar a parte dos irmãos de Margô nas terras. 


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