CIDADES
Terça-feira, 22 de Março de 2011, 20h:57
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ÁGUAS DE MT
Estudo mostra que 70% dos rios são bons
Sema apresentou ontem, Dia Mundial da Água, levantamento que mediu qualidade na Bacia do Paraguai em vários pontos. Áreas urbanas preocupantes
ALECY ALVES
Da Reportagem
No Dia Mundial da Água, celebrado ontem, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) apresentou o relatório de uma pesquisa que mostra que 70% das águas dos rios mato-grossenses ainda são considerados bons. Porém, a qualidade tende a piorar, em especial nos perímetros urbanos. A informação é da Coordenadoria de Monitoramento de Qualidade Ambiental da Secretaria. O monitoramento ocorreu entre 2007 e 2009 com coleta de amostras para análise em 74 estações, sendo 32 delas na Bacia Hidrográfica do Paraguai, em pontos dos rio Cuiabá e Paraguai, na Capital e nas cidades de Várzea Grande, Santo Antônio de Leverger, Nobres, Acorizal, Alto Paraguai e Cáceres. Nas áreas urbanas de Cuiabá, Várzea Grande e Leverger a qualidade da água foi considerada média. Mesmo assim, os técnicos da Sema alertam que isso significa que a água não pode ser consumida in natura e que a balneabilidade está comprometida, ou seja, é imprópria para banho. Mesmo nos aglomerados urbanos menores a situação se repete. No rio São Lourenço, o monitoramento mostrou que em cidades como Rondonópolis, Campo Verde, São Pedro da Cipa e Jarudore a qualidade de água apresenta níveis similares aos de Cuiabá e Várzea Grande. De acordo com Sérgio Batista Figueiredo, gerente de Laboratório e Ensaios, a comparação da pesquisa apontou níveis mais altos de poluição em 2007, um ano com período chuvoso mais intenso e, consequentemente, carga difusa maior de poluentes. Figueiredo explicou que, ao contrário do que a população pensa, é no período chuvoso que os poluentes são carregados aos rios em maior quantidade, levados pelos córregos e pela rede pluvial. Em 2008 e 2009, provavelmente por causa do funcionamento da estação elevatória de esgoto em Cuiabá, na Capital e nas cidades próximas, a qualidade apresentou uma ligeira melhora. O que não se sabe, disse ele, é se esta melhora é contínua ou esporádica. Entretanto, uma coisa é certa, a água dos rios é boa por causa da abundância e a capacidade própria de depuração, não por ações efetivas da população ou do poder público. Leandro Marachin, coordenador de Ordenamento Hídrico na Sema, destacou que na medida em que as cidades crescem, os problemas aumentam. A infraestrutura, observou, não acompanha o desenvolvimento dos centros urbanos. Em Cuiabá e Várzea Grande, citou, o Plano de Aceleração do Crescimento, a ação de saneamento urbano que mais expectativa gerou nas últimas décadas, está parado há anos. Além de alertar a população sobre o que acontece com o meio ambiente, um monitoramente como esse pode orientar políticas públicas ambientais.