CIDADES
Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007, 21h:30
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GAVIÃO REAL
Espaço de sobra para a espécie na UFMT
A aplicação de recursos oriundos da conversão de penas alternativas aplicadas pelo Juizado Volante Ambiental (Juvam) possibilitou ontem a inauguração do novo viveiro de gaviões reais (Harpia harpyja), no Zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que recebe animais capturados em todo o Estado. Com 23 metros de comprimento, 12 de largura e 10 de altura, a nova estrutura abriga três gaviões, sendo um macho e duas fêmeas. O viveiro anterior era menor e estava muito danificado, principalmente as telas. Fato que praticamente impossibilitava a reprodução dos animais. O investimento foi de R$ 30 mil. Conforme a veterinária Cristina Helena Alves, o gavião real precisa de espaço para seus vôos e a fêmea costuma fazer ninho no ano alto das árvores maiores. Agora vai dar para fazer vôos e fazer ninhos. Esperamos com isso possibilitar a reprodução destes animais. Os gaviões reais já se reproduziram duas vezes (em 1992 e 1996), mas devido às condições precárias do espaço em que estavam, deixaram de reproduzir. A fêmea põe dois ovos, mas apenas um sobrevive. De acordo com o titular do Juvam, juiz José Zuquim Nogueira, no ano passado, 33 condenados prestaram serviços de limpeza ou tratamento dos bichos no zoológico. Também foram disponibilizados para a universidade outros materiais, como terra preta (75 metros cúbicos), lascas de aroeiras (560 metros cúbicos), coletor seletivo, com verbas de penas alternativas. Os principais crimes ambientais cometidos são maus-tratos a animais, pesca predatória, desmatamento e exploração ou transporte irregular de madeira. No caso de crimes ambientais, a aplicação da pena alternativa tem que ser sempre voltada aos interesses ambientais, disse. Ele conclamou a sociedade a encampar parcerias com a UFMT. Ainda participaram do evento o procurador geral de Justiça, Paulo Prado, e o reitor da UFMT, Paulo Speller. O gavião real é uma espécie em extinção, encontrada em toda região amazônica, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e com menor freqüência no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. (JD)