A cegueira absoluta é a falta de visão inclusive nos sonhos. O deficiente visual que nunca enxergou exercita a permanente imaginação para dar forma, cores e dimensão aos seres e objetos. Aquele que ficou cego na infância ou depois de adulto, mantém na memória detalhes até mesmo insignificantes de coisas que viu e, que normalmente para quem enxerga passam despercebidos. O mundo sem luz dos que não enxergam não prende mais, como no passado, o deficiente visual. É sob esse prisma que Eronias Barbosa dos Santos, 27, aluno da 8ª série da Escola Estadual André Avelino Ribeiro no CPA-I encara a vida há cinco anos, quando um descolamento de retina roubou praticamente tudo o que lhe restava de visão limitada que tinha. Eronias reside no Jardim Bela Vista, leva uma vida praticamente normal, apesar de sua visão não passar de uma tênue luz difusa que não lhe permite sequer distinguir grandes objetos a curta distância, nem mesmo com a ajuda de lupa. A bengala branca não o abate. Ele é um homem feliz que utiliza-se do transporte coletivo, vai à festas, namora, estuda e, igual a todos os jovens, preocupa-se com o visual e defende a participação do deficiente no mercado de trabalho em pé de igualdade com aqueles que têm visão perfeita. (EG)