Nosso sentimento neste primeiro aniversário? Apenas tristeza, vazio e indignação, resume a presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Vôo 1907, Angelita de Marchi, em entrevista por telefone ao Diário. Segundo ela, nos últimos 12 meses os parentes têm vivido uma espécie de calvário. Muitas famílias perderam seu provedor, crianças ficaram desassistidas, mas nada acontece. A injustiça parece sempre prevalecer em nosso país. A associação culpa os pilotos americanos pelo acidente. De acordo com a presidente, o desligamento do transponder é que determinou a tragédia. Não importa se foi intencional ou não. Eles tinham que ter percebido que o sistema estava inoperante. Foram irresponsáveis. Angelita é viúva do passageiro Plínio Luiz de Siqueira Junior. Era um homem cheio de energia e planos, estava em plena ascensão na carreira. Na associação, encontrei força para seguir adiante. EXEMPLO A defesa dos pilotos do Legacy sustenta que o controle de tráfego aéreo é que colocou as aeronaves em rota de colisão. De acordo com o advogado Theo Dias, que os representa no Brasil, os pilotos foram vítimas de um processo de investigação mal-conduzido. O Brasil não deu um bom exemplo. Foi uma investigação tumultuada, o que prejudicou o trabalho técnico conduzido pela Aeronáutica, avalia. Sobre o desligamento do transponder, Dias diz que o controle em terra é responsável por monitorar seu funcionamento. Ninguém sabe ao certo por que o equipamento parou de funcionar. Independentemente disso, a responsabilidade pelo monitoramento é do controle em terra. (RV)