CIDADES
Sábado, 09 de Setembro de 2006, 14h:36
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EDUCAÇÃO
EJA: estratégia fácil para adquirir diploma
Mais de 40 mil pessoas que não concluíram os estudos na idade ideal são atendidas pela modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) nas escolas públicas do Estado. Porém, ao longo de sua implantação o programa nunca passou por avaliações sistemáticas que indiquem a qualidade do ensino e o nível de aprendizado dos alunos. O problema ganha proporções ainda maiores se levados em conta os fatos de que jovens que deveriam estar matriculados no ensino regular estão optando pela modalidade para acelerar os estudos e de que os órgãos de Educação não têm controle sobre as escolas privadas que oferecem EJA, que em alguns casos, vendem o diploma ao estudante. A busca desses alunos pelo diploma geralmente está ligada à necessidade de inserção no mercado de trabalho, segundo o Conselho Estadual de Educação (CEE). O EJA substituiu os antigos cursos supletivos no ano 2000 em Mato Grosso. O programa é dividido em segmentos e se o aluno entrar na primeira série do Ensino Fundamental pode concluir o terceiro ano do Ensino Médio em menos de nove anos, enquanto no ensino regular, o tempo necessário seria 11 anos, isso se não houvesse nenhuma reprovação. Para entrar no Ensino Fundamental pelo EJA é necessário ter idade superior a 15 anos, e no Ensino Médio mais de 18. A nossa sociedade ainda tem a cultura do diploma, mas quanto à qualidade, não há uma preocupação. Hoje o EJA não possui uma política de avaliação e nem mecanismos que possibilitem a fiscalização da oferta, criticou a presidente do CEE, Alaídes Alves Mendieta. Na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) não existem números relativos às instituições privadas que oferecem a EJA. O CEE soube apenas informar que 24 entidades particulares são autorizadas a ofertar a modalidade, mas afirmou que não há controle sobre a quantidade e o desempenho dos alunos. Somado o interesse de um estudante de conseguir o diploma fácil e o desejo da empresa privada em obter lucro em cima disso, é difícil fiscalizar. A gente recebe denúncias de escolas que estariam comercializando o diploma do EJA, mas quando chegamos lá, os diários e freqüência estão certos, as notas dos alunos também. É difícil atuar assim, defendeu o superintendente de Desenvolvimento Curricular da Seduc, Suelme Fernandes. No Brasil, as matrículas no EJA cresceram 60,3% nos últimos oito anos, segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo. Apesar do número de alunos atendidos em Mato Grosso pelo EJA ser expressiva, o Estado não acompanhou o crescimento nacional. Em 2000, 51.50 estudantes cursavam a modalidade. No ano passado, o número caiu para 45.670. A queda estaria relacionada a evasão escolar, que chega a 35% do total de matrículas efetuadas anualmente no EJA, segundo Suelme. Para a presidente do CEE, para que o programa consiga atender plenamente a sua finalidade, ainda há muito a ser modificado. O professor precisaria ser treinado de forma continuada para lidar com esse público e atender às especificidades; a carga horária também, muitas vezes, é um empecilho, e acima de tudo precisaríamos evitar que os jovens migrassem do ensino regular para o EJA em busca do aligeiramento dos estudos, afirmou Alaídes. Enquanto para uns o EJA é apenas uma forma de adiantar os estudos, para quem teve poucas oportunidades na vida é uma ultima opção. A dona de casa Rosinha Bereta da Silva, 57 anos, afirma que a vida dela mudou depois que entrou no EJA, há cinco meses. Quando questionada, ela não sabe avaliar se a qualidade do ensino é boa ou ruim, mas afirma ser o suficiente. As vezes é difícil, mas o que me motiva é que eu quero aprender, conclui ela.