Dono da funerária da cidade garante que número é exagerado
Não é difícil encontrar críticos do Mapa da Violência em Colniza. O desafio é encontrar alguém mais contrariado que o empresário Alonso Neves da Silva, dono da única funerária de Colniza e que diz ter um arquivo preciso de todos os que morreram na região. Eu registro todos os nomes, tenho tudo arquivado. Meu número é mais preciso que o da polícia. E posso garantir que não morreu tanta gente assim. Isso é exagero desse povo da Globo, apontou Silva, que vive na cidade desde 1999. Como Colniza não tem uma base do Instituto Médico Legal (IML), todos os exames de necrópsia são realizados na capela da funerária do empresário, que também acompanha a polícia nas operações de resgate de corpos. Todo mundo passa por lá, não tem jeito. Segundo ele, as mortes estão de fato concentradas em conflitos de terra, mas ocorrem em escala muito menor do que a apontada no estudo da OEI. Por aqui, passa três meses sem ter nenhuma morte. Na cidade é quase nada. Então, de onde estão tirando essa violência toda? Eu mesmo só compro urnas uma vez por ano. Às vezes sobra. Se eu fosse viver só de serviço funerário por aqui, não iria sustentar minha mulher e meu filho. (RV)