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CIDADES
Terça-feira, 06 de Julho de 2010, 21h:42

CÁCERE PRIVADO

Dia de cão no Araés

Usuário de drogas manteve cinco crianças reféns em sua casa e só se entregou após mais de três horas de negociação com a PM

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Após três horas e meia, o vendedor Marcelo Roberto Oliveira, de 37 anos, libertou cinco crianças - três filhos e dois sobrinhos - que ele manteve em cárcere privado em sua própria casa, na rua Manoel Leopoldino, esquina com avenida Mato Grosso, no bairro Araés, em Cuiabá. Usuário de drogas, de bebidas e de medicamentos controlados, ele brigou com familiares, que acionaram a Polícia Militar. Assim que os PMs chegaram, Marcelo se armou com uma faca, pegou o próprio filho de cinco meses e o fez refém. Na casa, havia mais quatro adultos, que foram libertados. Segundo o cabo PM Elias Murtinho, o primeiro a chegar na casa, assim que viu os policiais, o vendedor pegou o filho e ameaçou esfaqueá-lo. As demais crianças estavam dormindo. Com medo, as mães saíram da casa. A PM, então, pediu reforço do Bope, que iniciou as negociações até que o vendedor se entregou. “Foi só ele (Marcelo) ver os policiais que fez o filho e as demais crianças de reféns. A partir daí, tivemos que chamar os policiais especializados em gerenciamento de crises”, explicou o praça da Polícia Militar. Inicialmente, ele liberou a menina M.E, de seis anos. Em seguida, foi a vez de P.H., de dois, que saiu pelos fundos que dá acesso a um terreno baldio na avenida Mato Grosso. Por último, quando se entregou à polícia, ele libertou R.M., de 2, M.R, de 4, e o filho menor, J.D., de cinco meses. Para evitar a aproximação dos policiais, ele abriu a torneira de dois botijões de gás. Com isso, conseguiu ganhar tempo. O vazamento de gás atrapalhou o uso da arma taser - não letal -, pois uma faísca poderia incendiar a casa. Durante a negociação, um policial usou a câmera de uma emissora de tevê e se disfarçou de cinegrafista. Ele conversava com Marcelo, dando tempo para que os demais policiais invadissem a casa pelos fundos e libertassem as demais crianças. “São três casas num só terreno. A partir daí, conseguimos retirar as demais crianças que estavam longe do domínio dele (Marcelo)”, explicou um policial. O advogado Pedro Paulo Nogueira ficou como voluntário, na necessidade do vendedor exigir um advogado. “É sempre bom colaborar, embora esse seja o papel da Defensoria Pública”, observou. Assim que se entregou, Marcelo foi levado para a Central de Flagrantes e de Ocorrências para ser autuado em flagrante por cárcere privado, uma vez que não pediu resgate e restringiu a liberdade de familiares.

Edição EDIÇÃO 16958




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